Somos tão poucos quando estamos todos.
Somos tão poucos que nem sabemos
se a esta mesa em que estamos todos
não faltam todos os que já perdemos.
Somos tão poucos que nem contamos
olhando o lume da lareira acesa
quantos é que estamos, quantos faltamos
quando estamos todos sentados à mesa.
Somos tão poucos que já nem importa
se somos muitos, se somos poucos:
quando o silêncio nos bater à porta
já estamos todos e somos tão poucos.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
quinta-feira, dezembro 23, 2010
quarta-feira, dezembro 22, 2010
terça-feira, dezembro 21, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
sábado, dezembro 18, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010
segunda-feira, dezembro 13, 2010
sexta-feira, dezembro 10, 2010
[a neve nas Alturas]

Sabemos que uma coisa não existe
senão no modo como a olhamos. A água benta
é apenas um bom exemplo:
o Homem é o único animal que a distingue
da água da torneira. Assim
a neve nas suas múltiplas representações:
a neve prosaica
que significa desconforto
e se mistura com a lama e desliza, entre espessa
e deslaçada, nas ruas e nos pátios;
a neve muito branca elevada à categoria simbólica
da purificação; a neve e o seu carácter
lúdico, jogo e divertimento,
riso e corrida nas descidas das veredas lisas.
A neve caiu mais uma vez (e deu-lhe forte)
sobre as aldeias e as vilas, das cumeadas
às encostas da urze, das colinas aos vales da aluvião,
dos largos aos terraços, dos telhados das casas
aos adros das igrejas. E novamente
o múltiplo olhar do mundo
a desenhou em cartas de rumo inúmeras, derivações,
diferenças: da exaltação à palavra avisada
do velho das Alturas do Barroso
que não se teve que não dissesse à algarvia jovem
que saltava na neve e deslizava como se estivesse por dentro
da nuvem dos sonhos dos livros: «pois se gosta
tanto dela
leve-a toda que não nos faz falta nenhuma.»
senão no modo como a olhamos. A água benta
é apenas um bom exemplo:
o Homem é o único animal que a distingue
da água da torneira. Assim
a neve nas suas múltiplas representações:
a neve prosaica
que significa desconforto
e se mistura com a lama e desliza, entre espessa
e deslaçada, nas ruas e nos pátios;
a neve muito branca elevada à categoria simbólica
da purificação; a neve e o seu carácter
lúdico, jogo e divertimento,
riso e corrida nas descidas das veredas lisas.
A neve caiu mais uma vez (e deu-lhe forte)
sobre as aldeias e as vilas, das cumeadas
às encostas da urze, das colinas aos vales da aluvião,
dos largos aos terraços, dos telhados das casas
aos adros das igrejas. E novamente
o múltiplo olhar do mundo
a desenhou em cartas de rumo inúmeras, derivações,
diferenças: da exaltação à palavra avisada
do velho das Alturas do Barroso
que não se teve que não dissesse à algarvia jovem
que saltava na neve e deslizava como se estivesse por dentro
da nuvem dos sonhos dos livros: «pois se gosta
tanto dela
leve-a toda que não nos faz falta nenhuma.»
publicado originalmente aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/
fotografia tirada daqui: http://www.cm-boticas.pt/
terça-feira, novembro 30, 2010
[num tempo virado ao contrário]
Não atirava contra
os alvos fáceis e em si mesmo
guardava a lança
das cinco pontas envenenadas
dos desastres
como se existisse uma ética
num tempo virado ao contrário
em ser derrotado
no alto das colinas
defensivas.
os alvos fáceis e em si mesmo
guardava a lança
das cinco pontas envenenadas
dos desastres
como se existisse uma ética
num tempo virado ao contrário
em ser derrotado
no alto das colinas
defensivas.
segunda-feira, novembro 29, 2010
domingo, novembro 28, 2010
terça-feira, novembro 23, 2010
[Olhar por cima do ombro]
Olhar por cima do ombro e haver um dia antigo em que os animais deixaram no saibro dos estradões as linhas marcadas de ser o verão e existir o amor/
ou um outro feito de ferros enferrujados dos andaimes das obras das periferias como se mais nada valesse a pena depois das palavras que nem chegámos a dizer. Isso é tão pouco/
e é quase tudo: podermos olhar por cima do ombro e a memória devolver um dia de treva ou um dia da mais iluminada sombra. E ambos terem deixado no corpo as mesmas marcas imperecíveis.
ou um outro feito de ferros enferrujados dos andaimes das obras das periferias como se mais nada valesse a pena depois das palavras que nem chegámos a dizer. Isso é tão pouco/
e é quase tudo: podermos olhar por cima do ombro e a memória devolver um dia de treva ou um dia da mais iluminada sombra. E ambos terem deixado no corpo as mesmas marcas imperecíveis.
segunda-feira, novembro 22, 2010
terça-feira, novembro 16, 2010
[as paisagens de Georges]
jcb

«as paisagens de Georges». 70x70 cm, técnica mista sobre tela. Nov 2010.
sábado, novembro 13, 2010
[degraus, patamar & queda]
jcb

«degraus, patamar & queda». 50x50 cm, técnica mista sobre tela. Set 2010.
«degraus, patamar & queda». 50x50 cm, técnica mista sobre tela. Set 2010.
[os pagadores de promessas]
jcb
«os pagadores de promessas». 70x50 cm, acrílico sobre tela. Nov 2010.
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