domingo, novembro 28, 2010

[novembro]

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terça-feira, novembro 23, 2010

[Olhar por cima do ombro]

Olhar por cima do ombro e haver um dia antigo em que os animais deixaram no saibro dos estradões as linhas marcadas de ser o verão e existir o amor/
ou um outro feito de ferros enferrujados dos andaimes das obras das periferias como se mais nada valesse a pena depois das palavras que nem chegámos a dizer. Isso é tão pouco/
e é quase tudo: podermos olhar por cima do ombro e a memória devolver um dia de treva ou um dia da mais iluminada sombra. E ambos terem deixado no corpo as mesmas marcas imperecíveis.

segunda-feira, novembro 22, 2010

[o gato ilusionista interpõe recurso]

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«o gato ilusionista interpõe recurso». 50x70 cm, acrílico sobre tela. Set 2010.

terça-feira, novembro 16, 2010

[as paisagens de Georges]

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«as paisagens de Georges». 70x70 cm, técnica mista sobre tela. Nov 2010.

sábado, novembro 13, 2010

[degraus, patamar & queda]

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«degraus, patamar & queda». 50x50 cm, técnica mista sobre tela. Set 2010.

[os pagadores de promessas]

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«os pagadores de promessas». 70x50 cm, acrílico sobre tela. Nov 2010.

[a casa dos segredos]

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«casa dos segredos». Marcador sobre toalha de papel. Nov 2010.

domingo, novembro 07, 2010

[a tríade e o agente secreto]

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«a tríade e o agente secreto». Marcador sobre toalha de papel. Nov 2010.

sábado, novembro 06, 2010

[Kirchner em 1910]

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«Kirchner em 1910: Franzie e Marcella», 80x60 cm. Acrílico sobre madeira de guarda-vestidos. Nov 2010.

[em vez da sombra]

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«em vez da sombra». Marcador sobre toalha de papel. Nov 2010.

[os limites da literatura]

sei hoje
com a desilusão imensa de quem
suspeita ter perdido um rumo
ou o reconhecimento dos que nos lêem
que nenhum dos meus poemas sobre a crise e o orçamento
e muito menos os líricos publicados na revista criatura
deve ter influenciado assim de
modo particularmente decisivo
os relatórios
das agências de rating

sexta-feira, novembro 05, 2010

[dos naufrágios]

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«dos naufrágios». Marcador e lápis de cor sobre toalha de papel. Nov 2010.

segunda-feira, outubro 18, 2010

[as sementes aladas]

cúmplices do vento

as sementes aladas
do ácer.

[antes]

antes
e depois da água

a nuvem.

[a luz reflectida]

e de súbito
no meio do deserto
apareciam casas

como se
houvesse casas
no meio do deserto.

sexta-feira, outubro 15, 2010

[regressar às mesmas coisas de sempre]

regressar às mesmas coisas de sempre
como se não existissem outras
como se pela exaustão nos fosse dado o obscuro
poder de queimar as palavras nos incêndios das florestas
e apenas um ou outro nome sobreviesse
um ou outro utensílio feito de matéria incombustível
para cozinhar os alimentos
ou recolher a água dos tanques.

sábado, outubro 09, 2010

[Um poema traduzido por Sun Iou Miou]

me rindo a la subjetividad.
¿de qué otro modo escribir informes
en un país de poetas?
cuando digo piedra todos comprenden nube
cuando digo nube todos comprenden piedra.
me rindo en fin a la subjectividad:
escribo nube porque quiero decir piedra
sabiendo que todos leen piedra
cuando escribo nube.



Tradução de Sun Iou Miou.

quarta-feira, outubro 06, 2010

[tão pequena forja]

tão pequena forja quase doméstica
de aquecer os metais
para dobrá-los.
num canto da garagem
entre parafusos a
que os óxidos retiraram as estrias
entre baldes de plástico
e restos de fasquias das obras
entre um amontoado de objectos sem uso

eu ficava a olhar o fogo
azul
às vezes cor de laranja
à espera da revelação dos astros.

domingo, outubro 03, 2010

[objectos antigos]

vê-se a distância que vai
da mão a estes objectos antigos
-- vê-se no modo como queremos proteger
o que já não usamos.

vê-se a distância a que ficou
de nós o que deixou de pertencer-nos
-- utensílios que a má-consciência de perdê-los
nos faz agora defendê-los por decreto.

sexta-feira, outubro 01, 2010

[regressar]

regressar às coisas simples:
à aritmética
ao odor das sementes esmagadas do ácer.