quinta-feira, outubro 09, 2008

26.

[Não, claro. Isso é outra história. Já chega de novelos; e de tragédia. Não vem ao caso. Concordo. A sério. Adiante.]

25.

O mundo, em grande parte, era o rio: as casas da encosta descendo na direcção do rio; a pesca às trutas; o pequeno vale da Casa a Jusante da Ponte de Arame subindo-se das margens do Beça; os montes e as suas veredas e os seus bosques em declive reflectidos na água das presas; os freixos e os salgueiros das margens; as ervas secas do Verão e os paus arrastados pela enxurrada deixando nos ramos dos amieiros as marcas dos anéis da enchente. Mas a casa, agora [e o rio, e a árvore], não era apenas uma ruína: mas a ruína sem o mundo desse tempo. E João recorda a copa imensa da tília silvestre quase arredondada e a surpresa do avermelhado na parte superior dos raminhos jovens; e as folhas em forma de coração; e as suas flores aromáticas e quase transparentes no mês de Junho. A tília, portanto, era a mesma de sempre; metáfora do mundo; árvore dos segredos. O mais certo é que tivesse sido plantada no ano de mil oitocentos e sessenta e cinco. Porque foi em mil oitocentos e sessenta e cinco que Américo Fontes decidiu deixar a Aldeia. Nessa manhã de Março, depois da missa de sétimo dia em memória de Irene Custódio, Américo viu Joaquim Gomes sentado na pedra do adro; as golas da samarra puxadas; um cigarro vagaroso; um sorriso irónico de quem é credor das coisas do mundo. Américo sentiu o sangue a correr-lhe nas veias; lesto. E foi então que

quarta-feira, outubro 08, 2008

24.

João olhou os alpendres derruídos e as paredes quase tapadas pela hera e a vinha-virgem. Mas, antes, descendo o talude coberto de avoadinha e trevo, a memória do lugar foi-lhe devolvida pelo odor da tília do pátio erguendo-se na manhã clara de Abril. As jornadas de pesca quase sempre (João teria dezasseis, dezassete, dezoito anos) terminavam à sombra daquela árvore; estendendo-se a merenda na tábua de carvalho assente sobre duas pedras fincadas. João, por essa altura, desconhecia [e sabia] que tinha nascido ali. E também o mundo, então, era ainda jovem. Como se as coisas fossem nascendo à medida que se lhes dava um nome; como se fossem sendo desenhadas, uma a uma, para que o futuro as guardasse, intactas, na voragem do tempo.

terça-feira, outubro 07, 2008

23.

São cinco quilómetros desde o Meio da Aldeia à casa a Jusante da Ponte de Arame por um carreiro de terra que os matos foram cobrindo. João e Luísa caminhavam em silêncio. Ambos sabiam que João procurava mais que o lugar onde nascera. Porque na história da sua vida tudo era nebuloso. Segredo e tragédia misturavam-se para desenhar um novelo de fios dispersos. João não desconhecia que a mãe morrera durante o parto na casa a Jusante da Ponte de Arame e que Manuel Pequeno não era senão o seu pai adoptivo; não lhe era desconhecida a história dos amores clandestinos de Leonor Fontes e do engenheiro das florestas. Mas tudo isso lhe fora aparecendo desligado ao longo dos anos; em rumores e em peças separadas que lentamente foi recolhendo sem nunca conseguir juntá-las nos seus entalhes. Até desistir. Até apagar o passado. E tudo já ser (como se pudesse ser) indiferente.

Casa a Jusante da Ponte de Arame. Zona do espigueiro. Fotografia dos anos 40. (A. anónimo)

domingo, outubro 05, 2008

22.

João Pequeno não queria acreditar quando olhou o carro parado no Largo: o tejadilho bege, plano; os seis vidros rectangulares; a oval do motor com a protecção da grelha formada por elementos metálicos verticais; os guarda-lamas castanhos e a sua curvatura em onda a realçar a elegância da carroçaria desenhada em linhas quase rectas; a barra finíssima do pára-choques com uma ligeira curvatura nas extremidades; os dois faróis redondos incrustados na moldura inoxidável; o pneu sobressalente pendurado por correias de cabedal adiante da porta do lado direito; os aros reluzentes das rodas. O motorista sorria; adivinhava o deslumbramento que o carro causava a João Pequeno. «Vê-se que é entendido», disse; antes mesmo que a João se lhe ouvisse uma palavra. «Bem, só pode ser um Fiat Balilla. Mas confesso que desconhecia este modelo.» João Pequeno regressava de novo aos lugares onde nascera. E olhava as amoreiras do Noro, o pó levantado no caminho que subia quase a pique até ao Padrão e seguia depois a encosta do lado poente da serra da Seixa. «Já ouvi falar de si. Mas é claro que não nos conhecemos: estabeleci-me na Vila há pouco mais de dois anos; faz amanhã dois anos e dois meses.» E, lá ao fundo, a espaços, o rio desenhava-se iluminado pela claridade da manhã de Abril; serpenteando por entre a montanha; desaparecendo de novo. O Fiat Balilla avançava na manhã clara e azul. Os pinheiros dominavam a paisagem; de um e outro lado do estradão; elevando-se nas colinas; a perder-se nas sucessivas cumeadas. «Outro destes não encontrará você no país; é este, e dois em Itália; à experiência; veio-me, como imagina, directamente de Turim.» O passado regressava numa luz baça. E João recordou um dia antigo e o rumor da água das ribeiras a descer os alcantilados da serra; o odor das flores da urze pisadas pelas patas dos cavalos; uma casa em Lamego; um outro rosto. «Eu contava-lhe, mas você não ia acreditar.» E então, numa curva súbita, o casario de granito; compacto; os telhados e as pedras inteiras dos vãos; a calçada do caminho que haveria de levar ao Meio da Aldeia. «Contingências da vida. O meu pai era o maior amigo do sócio de Giovanni Agnelli. Um senhor. Um aristocrata, como deve saber. Ele devia-lhe favores de honra. Ou não devia. Outros tempos. A amizade, sabe como é.» O largo do Meio da Aldeia; o novo tanque construído pela ditadura nacional; a mão que Luísa lhe estendia no temor de que tudo o que começava a erguer-se pudesse desmoronar como as paredes das casas onde o silêncio se misturava às raízes das árvores. «Este motor, já viu? Parece um relógio suíço. Isto, quando começar a comercializar-se, é um ver-se-te-avias.» O largo do Meio da Aldeia; os bois barrosos, lentos, a meio da manhã, a regressar dos lameiros das águas de lima; as histórias inverosímeis de Adriano Marques; um tempo antigo; o eco de um tiro a repercutir na memória. Como se tudo se misturasse até à impossibilidade da narrativa; como se os factos e a memória dos factos não coincidissem nem pudessem coincidir. Uma tontura. E a voz de Luísa, distante na manhã clara de Abril de mil novecentos e trinta e um: «O senhor Adriano já sabe: espera-nos aqui por volta das quatro da tarde.» O tempo dividido; a incoerência cronológica; um vórtice; como se nada fizesse sentido.

sábado, outubro 04, 2008

21.

E, portanto, rumaram enfim à casa a Jusante da Ponte de Arame. Luísa temia que João Pequeno não estivesse preparado para o confronto com a ruína e a desolação; que a memória lhe devolvesse um lugar que não existiu nunca ou que não poderia já existir depois de tantos anos de silêncio e ausência. Ainda o tentou demover. Mas havia uma alegria infantil no seu rosto, nos seus gestos, nas suas palavras; um entusiasmo inamovível. E falava já da reconstrução da casa e dos muros. E via-se a acordar cedo, a descer ao rio, a pescar nas presas, ao saltão, nos dias quentes, ou a fazer vagarosos lançamentos à pluma até as trutas saltarem fora da água como se saíssem da treva e riscassem, no fundo do vale encaixado, a placidez das manhãs resguardadas pela quietação da montanha. Era um sábado. E ouvia-se o ruído do motor do carro de praça, lá fora, no largo do Toural, quando desciam a escaleira da Pensão que levava à sala da entrada.
20.

Acordaram agarrados um ao outro. Já era tarde da manhã. A luz entrava pela janela do quarto e a neve do dia anterior quase desaparecera da copa das árvores e das ruas. Talvez a Primavera pudesse começar; talvez o Abril, depois da neve que amaciara o tempo, e já que o Março correra sem uma ponta de vento, não trouxesse as costumadas águas mil.

quinta-feira, outubro 02, 2008

19.

A geada desses dias de Março só não queimou as ervas ruins e um estranho silêncio poisava em tudo; nem se deu por que a perdiz arrulhasse. Até que a manhã de seis de Abril trouxe a neve das cumeadas distantes e espalhou-a a toda a largura do vale; sobre as ruas e as casas e as árvores. E o sol, a meio da tarde, começou o degelo. E foi então, doze dias depois, que João acordou de novo e saiu da cama. Luísa deixara o quarto por breves instantes e quando regressou viu-o à janela a olhar os campos da veiga como se também ele se preparasse para sair de um antigo estado de repouso vegetativo; e olharam-se e sorriram para que o mundo pudesse começar de novo depois do gelo e da neve. João sentia uma absurda felicidade. Desceu para jantar na sala de entrada da Pensão Americana; riu; contou histórias em voz alta e um ligeiro sotaque do Brasil; bebeu vinho de Anelhe; conversou até tarde com Fernando Lalice. Lá fora ouvia-se o vento a bater no latão dos anexos; depois de tanto tempo sem uma aragem, sem que se escutasse o seu rumorejar nos ramos mais finos do espinheiro-da-virgínia do Toural ou dos vidoeiros do Noro. E quando Luísa subia finalmente a caminho do quarto, viu uma luz trémula a espalhar-se no patamar da escaleira. João Pequeno estava no corredor, de pé, parado, em silêncio, à sua espera; o rosto iluminado pela oval escarlate de uma vela acesa que tinha nas mãos.

quarta-feira, outubro 01, 2008

18.

João acordou; olhou Luísa nos seus olhos claros; sorriu; e adormeceu de novo. E depois dormiu durante doze dias seguidos, acordando apenas a breves espaços em que dizia coisas aparentemente sem sentido. E Luísa pensou que talvez houvesse uma diferença fundamental entre o que foi e o que sentimos que foi; e que talvez, a ser assim, João tivesse apenas memórias do que sentiu (não do que viveu) durante o curso dos anos vividos. Porque falava de coisas misturadas, sem cronologia, sem arrumação dos factos. O seu rosto (dela, Luísa), por exemplo (e a sua pele, e os seus olhos «iluminados por dentro», e as suas mãos), ganhavam nas palavras de João Pequeno (na memória que retinha do tempo antigo) um espaço que o tempo real e verdadeiro não lhe concedera (a ela) nunca. João Pequeno, durante esse estado febril, falava do mundo como se o mundo não pudesse deixar de ser o que sentimos que deveria ter sido.

17.

Luísa imagina por instantes que o passado e o presente se misturam até que tudo seja o que já foi.

16.

O mundo é um novelo de fios que desenham a trama; que se unem e desprendem; que se ligam e desligam; que se perdem e encontram. É assim o mundo: quase um rumor: a descer as encostas e os caminhos de terra e o espírito dos declives; a ficar suspenso nas árvores dos bosques; a entrar nas casas; a misturar-se na luz da manhã; a atravessar o mar oceano; a regressar sobre as águas; a ficar para sempre entre os dedos como a memória de tudo. É assim o mundo: um espelho a reflectir o que não existe.

quinta-feira, setembro 25, 2008

15.

Para onde vão os dias que passam? Que lugar os acolhe ou suspende nos seus múltiplos fios? O que nos pertence ou se perde irremediavelmente no tempo que já não é? Onde ficam as nuvens pretéritas e o vento e a chuva e as corridas das crianças a descer e a subir os atalhos das florestas? O que une ou separa os acontecimentos do passado e a memória que guardamos deles? E se não houvesse mais que o tempo presente? E se não houvesse passado nem futuro? E se a vida toda não fosse senão este momento irrepetível de nos sentirmos vivos em melancolia, intemporalidade e tumulto?

14.

Luísa ficou durante o fim de tarde e toda a noite à cabeceira da cama; a olhar o rosto adormecido de João Pequeno. Chamado a correr quando o seu corpo tombou na terra batida do Largo, a dois metros da porta de entrada da Pensão Americana, o doutor Nogueira recomendou «sopas e descanso». Que ele o que estaria era «terrivelmente cansado». E, filósofo, enigmático, teatral, como se recitasse o excerto de um poema ou de um romance, acrescentou: «cansado, talvez, de não se dissolver continuamente em cada instante da vida, ou das pessoas, ou de si mesmo, ou de tudo». Sopas e descanso, portanto. Por isso o levaram a um quarto e ela ficou assim, durante toda a noite, à cabeceira da cama; a olhar o seu rosto adormecido e a ver reflectir-se nele uma inusitada melancolia da passagem do tempo. Até que, de súbito, algo em Luísa vibrou como uma revelação: a revelação do medo e da ausência; da impossibilidade dos regressos; da inevitabilidade do adeus. A manhã entrava devagar na janela do quarto quando João Pequeno acordou. E era sobretudo melancolia o que o olhar de um parecia espelhar no olhar do outro.

quinta-feira, setembro 18, 2008

13.

Luísa sabe como os dias e os anos correm devagar por entre os montes; subindo encostas a pique, descendo as vertentes da umbria, atravessando as poldras das enchentes, correndo em caminhos de lama ou na poeira muito fina do saibro dos meses de Julho. Como se tudo fosse tão antigo que parecesse recente; como se a cronologia não fizesse sentido; como se não houvesse tempo na passagem do tempo; como se cada aniversário ou evocação não devolvessem senão o eco do que um dia já foram na memória dos seus risos e das suas lágrimas. Até ao momento em que pressentimos ou compreendemos que tudo já foi. E a lentidão se desenha de novo nos relógios e nas ruas e nos largos e nos pátios e nos corredores das casas.

12.

São poucas as coisas que regressam do passado quando sentimos que tudo seria pouco para que nos pudéssemos de novo erguer e olhar em frente: a memória de alguém que nos abraçasse ou nos tocasse no ombro e nos falasse com uma voz que saberíamos vir necessariamente do fundo do tempo; a memória de um lugar, de um objecto, de uma noite em que os amigos juraram que haveria sempre uma noite assim. E o desejo: isso que, livrando-nos do amor, nos reconduz ao amor.

sábado, setembro 13, 2008

11.

«Sei muito bem o que quero e para onde vou.» Uma tontura, uma vertigem. Um exemplar do Diário de Notícias aberto nas páginas centrais. O Rapto de Europa. A sublevação pela arte. «A incorrecção que o faz mover.» O mundo. Um mundo novo, um homem novo. Na tarde fria de Março. Lá fora não havia uma aragem, não se ouvia o rumor das folhas das árvores ou dos seus ramos suspensos e recortados contra a encosta. «No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando chegar à altura de mandar.» Uma tontura. Uma forte dor de cabeça. A náusea. «Não acha você, João, que este Professor Salazar?» O passado e o presente. Uma voz e outra, partidas, regressos, viagens, a vertigem do tempo. Sentado na mesa da Pensão Americana. Quem fala? Fernando Lalice? Di Cavalcanti? A sublevação. O respeitinho. Obedecer. Subverter. Regressado de longe a um lugar que não existe. Na tarde fria de Março de mil novecentos e trinta e um. «Sente-se bem?» Uma ligeira tontura. Os quatro companheiros de mesa mergulhados em irrealidade e abstracção. Pede desculpa. Olha mais uma vez a reprodução do Rapto de Europa. Pensa em Luísa. Mas Luísa não aparece na sala. João levanta-se. Sai. É já noite cerrada quando chega à rua. Uma tontura. O Professor de Finanças parece que vai salvar a Pátria.

10.

João Pequeno tinha conhecido Mário de Andrade em Novembro de mil novecentos e vinte e um: pouco mais de dois anos depois de deixar a Vila, de atravessar o imenso mar oceano, de chegar ao porto de Santos, de passar enfim a viver em S. Paulo. João ficou fascinado com o poeta e com o grupo de amigos; e rendido a essa ideia de provocação permanente, de subversão cultural como princípio de insubordinação ao mundo. Não mais deixou de acompanhá-los sempre que o tempo lhe permitia o abandono das contas e das estratégias de expansão do negócio. E foi assim, tantos anos depois de ver pela primeira vez a gravura pendurada na parede do fundo da Pensão Americana, que João Pequeno se confrontou de novo com uma reprodução do Rapto de Europa. Um jovem pintor falava com entusiasmo do verdadeiro precursor do modernismo e de toda a arte moderna e espalhava estampas numa mesa. «Atenção: estamos em meados do século XVI; e no entanto veja-se como Ticiano se libertou da tirania da linha, da precisa delimitação das formas; reparem nas pinceladas largas e livres; imaginem as marcas dos seus dedos espalhando a tinta, pressionando a tela; e compreendam como a verdadeira arte não imita a perfeição do mundo mas lhe acrescenta a incorrecção que o faz mover na direcção do futuro.» O espaço e o tempo misturam-se. Uma tontura. O eco das palavras antigas de Di Cavalcanti. O cérebro a estalar. Um regresso. João Pequeno recorda: por várias vezes dona Fernanda fizera tenção de retirar a gravura da parede. As manas Custódias, por exemplo, não se coibiam de falar em escândalo. E o padre Pedro chegou a pedir-lhe («não por ele, que sabia o que era a arte») que substituísse o painel por uma paisagem marinha ou uma natureza morta. João Pequeno recorda: os rapazes procuravam uma distracção para atravessar a porta e ficar assim, extasiados, a olhar o seio e as pernas opulentas da mulher deitada no dorso de um touro branco que parecia caminhar à flor das águas; e os comentários sobre o «pedaço de mulher» eram recorrentes. O quadro, nesse tempo, era isso: anjinhos a abençoar com setas de Cupido a mulher quase nua que lhes acenava com um lenço vermelho enquanto fugia no dorso de um touro.

9.

João sentou-se. O mais jovem do grupo falava sobre as drásticas alterações climáticas dos últimos anos e para o efeito «que só poderá ser nefasto» do fumo das fábricas das cidades sobre a meteorologia: «antigamente havia o Verão e o Inverno; agora anda tudo misturado e já ninguém percebe a ponta dum corno». Mas a sua atenção, aos poucos, desviava-se da mesa. A velha reprodução do Rapto de Europa continuava no mesmo lugar de sempre; pendurada na parede do fundo. E João sentia-se amarrado às figuras do quadro. A estremecer por dentro. Porque a gravura era a mesma e era agora completamente diferente. E nessa diferença se marcava também, decisiva, imperativa, a distância de si às coisas a que julgava regressar.