sábado, outubro 20, 2007

Da infância

no poço da morte
morríamos
de susto

Poema antigo (tantas versões...)

Quando acordamos dum sonho
que sonho
sonhamos ainda?

sexta-feira, outubro 19, 2007

No monopólio

No monopólio eu procurava incessantemente
mais que a rua de santa catarina ou o rossio
adquirir as quatro companhias
das águas. Perdia sempre. Outros
tempos. Hoje
estaria rico.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Os cinco elementos, 3

jcb

Ainda os cinco elementos

Um rosto que vem de longe: das ilhas
dos romances, dos continentes onde nascia o vento
antes da luz
transformada
em terra azul incandescente.
Um e outro nome,
um e outro devorados pela vertigem
do crepúsculo: o mar ou a manhã,
a tarde ou a água iluminada
nas sombras pretéritas
desse rosto: nenhum lugar,
nenhuma gramática
ensinada nos livros.
E só depois o corpo. E só depois
o lume.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Os cinco elementos, 2

jcb

Os cinco elementos

a água retira ao fogo incandescente o ar. a terra retira ao ar o fogo da água. amo-te. o fogo retira ao ar que se respira a água. o ar. a terra. o fogo. a água. amo-te. ao fogo incandescente. a água retira ao fogo incandescente o ar.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ama

jcb

Partes do mundo, 1

jcb

sábado, outubro 13, 2007

13 de Outubro

jcb

segunda-feira, outubro 08, 2007

Cacela, 7:38 PM

jcb

sábado, outubro 06, 2007

O Sábado

Os cordeiros ficavam suspensos
de paus espetados nos intervalos das pedras
da parede para que melhor
depois de soprados à cana
se lhes tirasse a pele e as enxúndias viessem
inteiras na precisão do corte. As primeiras moscas
do ano seguiam os movimentos da navalha
e poisavam nos panos ou rondavam
os alguidares das vísceras. À distância
ouviam-se os gritos metálicos e trémulos
e lancinantes dos bichos. Mas
havia que estar presente e
ter seis anos e ver o sangue
a escorrer em fio na pedra de granito inclinada
do pátio de tão abundante e
inverosímil. O meu tio
sorria então a olhar-me e a limpar num
pano de cozinha as mãos
cumprida com mestria a função de esfolar
e amanhar os cordeiros da páscoa.
E nas assadeiras e nas mesas festivas
não haveria já no dia seguinte
memória nenhuma do sangue
escorrendo na pedra do pátio.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Nenhuma máscara

Não sabemos ainda como
perdemos as asas: se
nos lancis dos terraços
em voo sobre os pomares de amendoeiras, se
nas sobrevoadas cumeadas
dos bosques de bétulas em novembro, se
nos olhos de água, se
na puta da vida emitindo recibos
e avenças. Sabemos apenas
que nos olhamos hoje
e nenhuma máscara
nos cabe
no rosto.

A questão energética

(dedicado ao anónimo da caixa de comentários)

Há uma lâmpada que ficou acesa
para sempre. O último a sair
tinha um sentido de responsabilidade
filho da puta.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Nas ruínas, 2

As caixas de comentários têm momentos deliciosos. Como este, por exemplo, a propósito do poema anterior (Nas ruínas):

«Presumo que o último a sair esqueceu-se de a apagar.»

segunda-feira, outubro 01, 2007

Nas ruínas

nas ruínas de Cartago
uma flor uma obscura lâmpada iluminada
permanece ainda

No fundo do mar

dizes uma única palavra
e os sismógrafos desesperam
entre richter e mercalli
como se as tempestades ou a chuva pudessem nascer
em vez dos sismos
no fundo do mar

Em vez da sede

em vez da sede
a escassa e inúmera água do deserto
nos teus lábios breves

Meu amor

eu amava sobretudo meu amor
e tanto
as tuas imperfeições

domingo, setembro 30, 2007

As fases da lua, 2

jcb