Em resposta ao desafio do António Manuel Venda (a proposta inicial é de Manuel A. Domingos e o assunto tem dado pano para mangas: aqui, aqui, aqui e aqui, só a título de exemplo) escolho aquilo que supostamente serão dez grandes livros. Critério: títulos sobre os quais criei ou me criaram imensas expectativas e no entanto me deixaram indiferente ou de pé atrás. O mais certo, portanto, é que se trate de grandes livros que apenas não encontraram em mim o leitor que o seu mérito literário justificava ou merecia.
- «A Fogueira das Vaidades», Tom Wolfe
- «A Misteriosa Chama da Rainha Loana», Umberto Eco
- «A Cruz de Santo André», Camilo José Cela
- «A Cidade das Flores», Augusto Abelaira
- «Big Sur», Jack Kerouac
- «Pedro Páramo», Juan Rulfo
- «As Rosas de Atacama», Luís Sepúlveda
- «José e os seus Irmãos», Thomas Mann
- «Os Duros não Dançam», Norman Mailer
- «Olhai os Lírios do Campo», Erico Veríssimo
Gostaria que continuassem o desafio: o Fernando, o Luís, o Diogo, M e a Isabela.
sexta-feira, setembro 07, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
[Quase nada, 1]
Os incêndios
Eu assim também
lia o oráculo: esta mata
vai arder. Não era preciso
um fósforo
ou o horóscopo
ou um rastilho aceso.
Mais que certo:
os pinheiros bravos
destinados
aos incêndios
do Verão.
Eu assim também
lia o oráculo: esta mata
vai arder. Não era preciso
um fósforo
ou o horóscopo
ou um rastilho aceso.
Mais que certo:
os pinheiros bravos
destinados
aos incêndios
do Verão.
domingo, setembro 02, 2007
[Ainda as caixas de comentários]
Como outros se lavam
recatadamente há os que
escolhem conspurcar-se
em público abrindo
a boca escorrendo-lhes
baba ou deixando em blogs
alheios o seu próprio
ranço nas caixas
de comentários
em mau português. E quase
nunca é propositado
mas apenas quase
sempre a falta de sexo
ou de ternura ou
a ignorância acrescida
de nunca terem tido
um espelho onde pudessem
vagarosamente olhar-se
nem livros na infância.
E é enfim o pretexto
para nos lamentarmos
a meio de conversas
sobre o campeonato
de se ter demitido
por razões pedagógicas
o sistema de ensino
de baixar a bola
a refractários deste calibre.
recatadamente há os que
escolhem conspurcar-se
em público abrindo
a boca escorrendo-lhes
baba ou deixando em blogs
alheios o seu próprio
ranço nas caixas
de comentários
em mau português. E quase
nunca é propositado
mas apenas quase
sempre a falta de sexo
ou de ternura ou
a ignorância acrescida
de nunca terem tido
um espelho onde pudessem
vagarosamente olhar-se
nem livros na infância.
E é enfim o pretexto
para nos lamentarmos
a meio de conversas
sobre o campeonato
de se ter demitido
por razões pedagógicas
o sistema de ensino
de baixar a bola
a refractários deste calibre.
sexta-feira, agosto 31, 2007
L.
agora sabemos que às vezes é preciso morrer
para que algumas coisas fiquem vivas para sempre:
a manhã de novembro em que caiu a neve
e foste a minha casa oferecer-me agasalhos;
as tuas mãos nas minhas mãos quando
quase adoeceste por me ter assaltado a febre.
havia tantas coisas que era preciso esclarecer:
falámos ao telefone e combinámos um encontro.
mas foi preciso que morresses para compreender
que as coisas decisivas ficam sempre por dizer.
para que algumas coisas fiquem vivas para sempre:
a manhã de novembro em que caiu a neve
e foste a minha casa oferecer-me agasalhos;
as tuas mãos nas minhas mãos quando
quase adoeceste por me ter assaltado a febre.
havia tantas coisas que era preciso esclarecer:
falámos ao telefone e combinámos um encontro.
mas foi preciso que morresses para compreender
que as coisas decisivas ficam sempre por dizer.
quinta-feira, agosto 30, 2007
segunda-feira, agosto 27, 2007
domingo, agosto 26, 2007
sábado, agosto 25, 2007
Já não nos motiva
Já não nos motiva nenhuma ideologia
e não acreditar em Deus não
é propriamente uma crença.
Resta-nos pois provavelmente a Icologia
e a filosofia do Paroxismo:
talvez fundemos uma espécie de igreja
onde o que nos move não seja
tanto a Paisagem mas um Catecismo.
O mundo deveria ser como antes:
sem electricidade nem combustíveis fósseis.
Nós somos contra os automóveis
e contra os desodorizantes.
É verdade que comemos hambúrgueres
e vivemos em apartamentos nas Telheiras.
Mas se dependesse de nós só se semeavam girassóis
e só se plantavam oliveiras.
e não acreditar em Deus não
é propriamente uma crença.
Resta-nos pois provavelmente a Icologia
e a filosofia do Paroxismo:
talvez fundemos uma espécie de igreja
onde o que nos move não seja
tanto a Paisagem mas um Catecismo.
O mundo deveria ser como antes:
sem electricidade nem combustíveis fósseis.
Nós somos contra os automóveis
e contra os desodorizantes.
É verdade que comemos hambúrgueres
e vivemos em apartamentos nas Telheiras.
Mas se dependesse de nós só se semeavam girassóis
e só se plantavam oliveiras.
sexta-feira, agosto 24, 2007
Tantas vezes a única
Essa é a tua estrela
essa que chega a quase nem brilhar
essa que fica tantas vezes escondida durante a
noite pelo brilho de todas as outras estrelas
essa que não é sequer um ponto na carta de rumos
essa é a tua estrela
minúscula estrela quase apagada
tantas vezes a única
minha única estrela
essa que chega a quase nem brilhar
essa que fica tantas vezes escondida durante a
noite pelo brilho de todas as outras estrelas
essa que não é sequer um ponto na carta de rumos
essa é a tua estrela
minúscula estrela quase apagada
tantas vezes a única
minha única estrela
quinta-feira, agosto 16, 2007
O poeta no Instituto de Medicina Legal
lamentavam muito
mas que não podiam aceitar doações
de veias poéticas
mas que não podiam aceitar doações
de veias poéticas
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