Não quero
nada. Só quero
tudo.
segunda-feira, abril 16, 2007
domingo, abril 15, 2007
quarta-feira, abril 11, 2007
As grandes decisões
a mulher que andava à lenha
e encontrou o braço em madeira polícroma
do senhor de matosinhos
hesitou ainda entre salvá-lo
da lareira onde se recusava a arder
e acreditar no milagre
é sempre tão difícil decidir
entre salvar a alma
ou ter numa noite fria de inverno
a lareira acesa
e encontrou o braço em madeira polícroma
do senhor de matosinhos
hesitou ainda entre salvá-lo
da lareira onde se recusava a arder
e acreditar no milagre
é sempre tão difícil decidir
entre salvar a alma
ou ter numa noite fria de inverno
a lareira acesa
segunda-feira, abril 09, 2007
sábado, abril 07, 2007
O que/ nas cidades mais lhes pertence
às vezes é preciso aprender o que já sabíamos
primeiro esquecer cada uma das imagens
cada uma das frases definitivas
e depois olhar de novo pela primeira vez
cada palácio cada desvão
cada uma das casas erguidas por
entre a luz e os escombros
as crianças que
tomaram conta dos largos e dos cruzamentos
a sombra que sobe os degraus e
poisa nas varandas
os buracos das estradas
as torres altivas das catedrais
as paredes escalavradas
a música a tristeza a
felicidade imensa de um rosto que
se abre junto ao mar
os planos dos arquitectos que
não desenham para os seus próprios nomes
e deixam às pessoas o que
nas cidades mais lhes pertence:
os passeios as ruas as praças e os jardins
primeiro esquecer cada uma das imagens
cada uma das frases definitivas
e depois olhar de novo pela primeira vez
cada palácio cada desvão
cada uma das casas erguidas por
entre a luz e os escombros
as crianças que
tomaram conta dos largos e dos cruzamentos
a sombra que sobe os degraus e
poisa nas varandas
os buracos das estradas
as torres altivas das catedrais
as paredes escalavradas
a música a tristeza a
felicidade imensa de um rosto que
se abre junto ao mar
os planos dos arquitectos que
não desenham para os seus próprios nomes
e deixam às pessoas o que
nas cidades mais lhes pertence:
os passeios as ruas as praças e os jardins
Chegavas a acreditar
Chegavas a acreditar
que os nomes das coisas
nasceram antes
de cada uma das coisas
e que a literatura precede
as páginas em branco
como o avanço do mar
precede
a tempestade.
que os nomes das coisas
nasceram antes
de cada uma das coisas
e que a literatura precede
as páginas em branco
como o avanço do mar
precede
a tempestade.
quarta-feira, março 28, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
domingo, março 25, 2007
Territórios
Territórios onde o abandono
vai erguendo muros. Silêncio e meia
dúzia de lâmpadas a iluminar
o largo. É tarde da noite.
Caminhas pela estrada nacional
e olhas de cima os telhados
das casas, as sombras poisadas
nos muros do cadastro,
o pequeno brilho da água
dos tanques do quarto
minguante. Todos dormem
e nenhum gesto parece
poder sobressaltar o mundo, acordar
as crianças ou nos pátios
os rumorosos galos sucessivos.
vai erguendo muros. Silêncio e meia
dúzia de lâmpadas a iluminar
o largo. É tarde da noite.
Caminhas pela estrada nacional
e olhas de cima os telhados
das casas, as sombras poisadas
nos muros do cadastro,
o pequeno brilho da água
dos tanques do quarto
minguante. Todos dormem
e nenhum gesto parece
poder sobressaltar o mundo, acordar
as crianças ou nos pátios
os rumorosos galos sucessivos.
sábado, março 24, 2007
[só de me tocares]
os teus olhos demoram no inverno
as primeiras sombras -
os teus olhos adormecem nos guindastes das obras
a súbita exasperação dos meses -
nem assim um rio primitivo
divide com as aves
a luz precária de novembro -
nem assim uma nuvem
mistura nas lágrimas
as imagens verdadeiras do amor -
e regresso às ravinas declivosas dos teus ombros
como se pudesse morrer
só de me tocares -
as primeiras sombras -
os teus olhos adormecem nos guindastes das obras
a súbita exasperação dos meses -
nem assim um rio primitivo
divide com as aves
a luz precária de novembro -
nem assim uma nuvem
mistura nas lágrimas
as imagens verdadeiras do amor -
e regresso às ravinas declivosas dos teus ombros
como se pudesse morrer
só de me tocares -
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