segunda-feira, abril 09, 2007

sábado, abril 07, 2007

O que/ nas cidades mais lhes pertence

às vezes é preciso aprender o que já sabíamos
primeiro esquecer cada uma das imagens
cada uma das frases definitivas
e depois olhar de novo pela primeira vez
cada palácio cada desvão
cada uma das casas erguidas por
entre a luz e os escombros
as crianças que
tomaram conta dos largos e dos cruzamentos
a sombra que sobe os degraus e
poisa nas varandas
os buracos das estradas
as torres altivas das catedrais
as paredes escalavradas
a música a tristeza a
felicidade imensa de um rosto que
se abre junto ao mar
os planos dos arquitectos que
não desenham para os seus próprios nomes
e deixam às pessoas o que
nas cidades mais lhes pertence:
os passeios as ruas as praças e os jardins

Uma bandeira para o Edifício da Representação de Negócios, 3

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Uma bandeira para o Edifício da Representação de Negócios, 2

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Uma bandeira para o Edifício da Representação de Negócios, 1

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O pior

O pior nem é propriamente
a consciência de que a injustiça
espalha os seus vidros no chão
onde caminhamos descalços.
O pior é um dia imaginarmos
que nenhum vento ou a erosão
os haverá de reduzir no asfalto
a/ minúsculas partículas de pó.

Chegavas a acreditar

Chegavas a acreditar
que os nomes das coisas
nasceram antes
de cada uma das coisas
e que a literatura precede
as páginas em branco
como o avanço do mar
precede
a tempestade.

quarta-feira, março 28, 2007

Ontem

Sigo as pistas do poema
nas páginas em branco
onde poisas
vagarosamente
as tuas mãos trémulas.

segunda-feira, março 26, 2007

Sigamos a Lesma

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Do Mundo

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Nuvem, coração

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domingo, março 25, 2007

Territórios

Territórios onde o abandono
vai erguendo muros. Silêncio e meia
dúzia de lâmpadas a iluminar
o largo. É tarde da noite.
Caminhas pela estrada nacional
e olhas de cima os telhados
das casas, as sombras poisadas
nos muros do cadastro,
o pequeno brilho da água
dos tanques do quarto
minguante. Todos dormem
e nenhum gesto parece
poder sobressaltar o mundo, acordar
as crianças ou nos pátios
os rumorosos galos sucessivos.

sábado, março 24, 2007

[só de me tocares]

os teus olhos demoram no inverno
as primeiras sombras -
os teus olhos adormecem nos guindastes das obras
a súbita exasperação dos meses -

nem assim um rio primitivo
divide com as aves
a luz precária de novembro -
nem assim uma nuvem
mistura nas lágrimas
as imagens verdadeiras do amor -

e regresso às ravinas declivosas dos teus ombros
como se pudesse morrer
só de me tocares -

quarta-feira, março 21, 2007

As escolhas

Entre a aluvião e o deserto entre
o tumulto e a cal entre
as lágrimas e o êxtase escolhes
apenas um nome.

segunda-feira, março 12, 2007

[Sobre o destino]

Nenhuma estrela nos guia
no mundo, nenhuma palavra
dos livros, nenhum fio
por entre o labirinto
das horas. Somos o caminho
que fazemos:
erros sucessivos,
perdas, muros erguidos
contra o rumo
dos astros, o orgulho,
as primeiras lágrimas,
a ilusão do amor.

domingo, março 11, 2007

O mundo todo

Imagina que não existe
mais nada: que o mundo todo se contém
nesse perímetro breve
entre o muro de pedra
e as palavras
que o delimitam.
Imagina que o vento
adormece nos ramos minúsculos
dos freixos do pátio
e só a tempestade
sobe os degraus da escaleira.
Imagina a casa
como se não houvesse divisórias
entre
nuvens
e labirintos.


para o zé mário, com perdão do plágio

Um Homem

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[Dos venenos]

Vínhamos de longe, desconhecíamos
o irascível rumor
das dedaleiras.

Esse mais rapidamente

Hoje parece estranho que não tivéssemos
planos de contingência: apenas
a música, a velocidade e o asfalto
nos guiavam.
Lembro o teu sorriso:
esse mais rapidamente
se perdeu
na distância
que os automóveis
a cortar a noite
em fatias descontínuas.

Um Inverno assim

jcb



A cor da terra


Caixa-ninho



A caldeirinha (chapim real) começou a preparar a casa

Ninho construído por um Pica-Pau