domingo, dezembro 17, 2006

O Inverno

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Antes das sombras das figueiras nuas desenhadas na terra: a luz pretérita, a água das nascentes, o azul da nuvem de silêncio, uma espécie de apaziguado rumor incandescente.

Uma história, 3

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«Os dois sinhores vâo vêr as suas popriédades»

Uma história, 2

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«As duas meninas náo tém medo das nûvems»

Uma história, 1

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«As senhôras vão faser as compras do Natál»

sábado, dezembro 16, 2006

A cal

Tudo o que é da sombra nasce da luz
tudo o que é da luz nasce da sombra
nos meses de julho a tarde cai a pique
nas paredes de cal
mas antes é preciso a pedra
mas antes é preciso a sombra
mas antes é preciso o lume
só depois esse iluminado espelho
vertical.

Santa Rita: um forno de cal

jcb


terça-feira, dezembro 12, 2006

Sobre posições





J. C. Barros. Primeiro estudo para «Sobre posições: um fim de semana com gripe». Acrílico sobre tela, 70x70 cm.

domingo, dezembro 10, 2006

Canção

É quase nada é o teu rosto é uma sílaba
é só o pátio dos incêndios um poema
é uma nuvem uma praia é o que cintila
é uma tarde de mãos dadas no cinema

É a memória desse instante inicial
é quase nada é quase tudo é só o vento
tu respirares entre o silêncio a neve e a cal
rosas de fogo iluminadas só por dentro

É o teu nome inscrito a giz numa bandeira
a via láctea nos teus olhos meu amor
é o que fica do inverno é a primeira
água do mundo a sua luz o seu rumor

Agora o tempo é no teu nome que parou
um rio súbito um momento inaugural
adormecemos e esta história terminou
foste de mim eu fui de ti ponto final


(Refrão)

É só o vento
nos teus olhos
só o vento

É só o vento
o seu rumor
a sua voz

É só o vento
meu amor
é só o vento

E lá por dentro
estarmos nós
e estarmos sós

É só o vento
meu amor
é só o vento

É só o vento
o seu rumor
é só o tempo

É só o vento
meu amor
é só o vento

É só o tempo
e lá por dentro
estarmos nós

sábado, dezembro 09, 2006

Luís

Zarolho sim
mas com um jeito filho da puta
para o decassílabo

Mário

De Deus é costume dizer-se
outra coisa não fez Cesariny
que escreve direito por linhas tortas

Tolentino

Arremetendo-lhe a mãe eis senão quando
uma mobília em saldo da Moviflor lhe
sai de dentro do toucado

A memória

Não escapamos a esse momento em que a felicidade
por um instante nos iluminou e iluminou
o mundo. Era ainda cedo, era
já demasiado tarde. Quando
essa luz agora regressa
toca-nos a inexpugnável sombra
de nos sabermos tão afastados dela
e indefesos. Isso sabemos. Só não sabemos
em que obscuro lugar se perdeu a certeza
de que em nós coincidiriam sempre
a alegria
e o Tempo.

O teu rosto

O mar
um espelho
que devolva o teu rosto

A Poesia

Prosa. Nenhum artifício. Límpida.
Tronco, água, pedra, muro. Da sombra
só a parcela mínima de sombra
sem a luz
de que reverte.

Antologia

O vento.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Poema incompleto

J. C. Barros. «Poema incompleto». Acrílico sobre tela, 80x80 cm.

Uma árvore em mil novecentos e oitenta e dois

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Por dentro das casas



J. C. Barros. «O que está por dentro das casas». Acrílico sobre tela, 100x65 cm.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O ensino pelos manuais

«As crianças não aprendem»
as crianças erguem com as suas ruidosas mãos
uma nuvem de silício

Depois do amor

Um navio de pérolas
em nenhum outro lugar
quero adormecer