sábado, dezembro 09, 2006

Mário

De Deus é costume dizer-se
outra coisa não fez Cesariny
que escreve direito por linhas tortas

Tolentino

Arremetendo-lhe a mãe eis senão quando
uma mobília em saldo da Moviflor lhe
sai de dentro do toucado

A memória

Não escapamos a esse momento em que a felicidade
por um instante nos iluminou e iluminou
o mundo. Era ainda cedo, era
já demasiado tarde. Quando
essa luz agora regressa
toca-nos a inexpugnável sombra
de nos sabermos tão afastados dela
e indefesos. Isso sabemos. Só não sabemos
em que obscuro lugar se perdeu a certeza
de que em nós coincidiriam sempre
a alegria
e o Tempo.

O teu rosto

O mar
um espelho
que devolva o teu rosto

A Poesia

Prosa. Nenhum artifício. Límpida.
Tronco, água, pedra, muro. Da sombra
só a parcela mínima de sombra
sem a luz
de que reverte.

Antologia

O vento.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Poema incompleto

J. C. Barros. «Poema incompleto». Acrílico sobre tela, 80x80 cm.

Uma árvore em mil novecentos e oitenta e dois

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Por dentro das casas



J. C. Barros. «O que está por dentro das casas». Acrílico sobre tela, 100x65 cm.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O ensino pelos manuais

«As crianças não aprendem»
as crianças erguem com as suas ruidosas mãos
uma nuvem de silício

Depois do amor

Um navio de pérolas
em nenhum outro lugar
quero adormecer

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Uma história antiga

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A noite de 15 de Março de 2007

jcb

Um regresso a casa

jcb



[Coisas que se guardam no coração]




Pintura de António Inverno. «H2O. Máquina». Óleo sobre tela.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Só mais tarde

Só mais tarde, vendo melhor,
compreendemos
que não vemos.

terça-feira, novembro 28, 2006

[Se tu quisesses]



J. C. Barros. «Se tu quisesses ser o meu barco...». Acrílico sobre tela, 80x80 cm.

Apagar

Eu quero apenas ser chamado de novo
ao quadro de ardósia
e ter um apagador
eu quero apenas escrever a giz no meio da tempestade
eu quero apenas rasgar as páginas dos livros
eu quero apenas adormecer
eu quero apenas acordar quando os relâmpagos
trouxerem por um breve instante
o milagre de tudo ficar
iluminado por dentro.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Do que é imutável

As folhas persistentes das alfarrobeiras permanecem como um sinal do que é imutável. Como se o Inverno, mudando quase tudo, precisasse dessa fidelidade, desse sacrifício, para que o milagre (por exemplo) das amendoeiras em flor possa vir a acontecer.

Em vez das palavras

jcb