De Deus é costume dizer-se
outra coisa não fez Cesariny
que escreve direito por linhas tortas
sábado, dezembro 09, 2006
A memória
Não escapamos a esse momento em que a felicidade
por um instante nos iluminou e iluminou
o mundo. Era ainda cedo, era
já demasiado tarde. Quando
essa luz agora regressa
toca-nos a inexpugnável sombra
de nos sabermos tão afastados dela
e indefesos. Isso sabemos. Só não sabemos
em que obscuro lugar se perdeu a certeza
de que em nós coincidiriam sempre
a alegria
e o Tempo.
por um instante nos iluminou e iluminou
o mundo. Era ainda cedo, era
já demasiado tarde. Quando
essa luz agora regressa
toca-nos a inexpugnável sombra
de nos sabermos tão afastados dela
e indefesos. Isso sabemos. Só não sabemos
em que obscuro lugar se perdeu a certeza
de que em nós coincidiriam sempre
a alegria
e o Tempo.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Por dentro das casas

J. C. Barros. «O que está por dentro das casas». Acrílico sobre tela, 100x65 cm.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
O ensino pelos manuais
«As crianças não aprendem»
as crianças erguem com as suas ruidosas mãos
uma nuvem de silício
as crianças erguem com as suas ruidosas mãos
uma nuvem de silício
segunda-feira, dezembro 04, 2006
quinta-feira, novembro 30, 2006
terça-feira, novembro 28, 2006
[Se tu quisesses]

J. C. Barros. «Se tu quisesses ser o meu barco...». Acrílico sobre tela, 80x80 cm.
Apagar
Eu quero apenas ser chamado de novo
ao quadro de ardósia
e ter um apagador
eu quero apenas escrever a giz no meio da tempestade
eu quero apenas rasgar as páginas dos livros
eu quero apenas adormecer
eu quero apenas acordar quando os relâmpagos
trouxerem por um breve instante
o milagre de tudo ficar
iluminado por dentro.
ao quadro de ardósia
e ter um apagador
eu quero apenas escrever a giz no meio da tempestade
eu quero apenas rasgar as páginas dos livros
eu quero apenas adormecer
eu quero apenas acordar quando os relâmpagos
trouxerem por um breve instante
o milagre de tudo ficar
iluminado por dentro.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Do que é imutável
As folhas persistentes das alfarrobeiras permanecem como um sinal do que é imutável. Como se o Inverno, mudando quase tudo, precisasse dessa fidelidade, desse sacrifício, para que o milagre (por exemplo) das amendoeiras em flor possa vir a acontecer.
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