terça-feira, novembro 28, 2006

[Se tu quisesses]



J. C. Barros. «Se tu quisesses ser o meu barco...». Acrílico sobre tela, 80x80 cm.

Apagar

Eu quero apenas ser chamado de novo
ao quadro de ardósia
e ter um apagador
eu quero apenas escrever a giz no meio da tempestade
eu quero apenas rasgar as páginas dos livros
eu quero apenas adormecer
eu quero apenas acordar quando os relâmpagos
trouxerem por um breve instante
o milagre de tudo ficar
iluminado por dentro.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Do que é imutável

As folhas persistentes das alfarrobeiras permanecem como um sinal do que é imutável. Como se o Inverno, mudando quase tudo, precisasse dessa fidelidade, desse sacrifício, para que o milagre (por exemplo) das amendoeiras em flor possa vir a acontecer.

Em vez das palavras

jcb



sábado, novembro 25, 2006

Ciência do que é Real e Verdadeiro

Um poema de três versos ou a cal
iluminam a tarde
por igual
O que cintila
nem chega a ser
uma sílaba
Entre uma e outra frase
o que é
o amor?
Numa única palavra
se escondem as sílabas
da água
Escreveres uma frase
e regressarem
as aves
Um corpo ou uma página
que te devolvam
a água
«Dêem-me A Palavra
e moverei
o mundo»

segunda-feira, novembro 20, 2006

Outono

O vento
espalha nas mesas de trabalho
as frases dos livros

Palavras

O mar o amor
o amar
te

Nos teus ombros

Tocar nos teus ombros
as marcas d
água

Tudo

Quero

o teu nome

domingo, novembro 19, 2006

Ciência

Falavas duma espécie de Ciência (ou Lugar)
onde por um instante
se equilibravam as roldanas e as palavras

e as mãos ou a pedra
acolhiam indiferentemente
o desolado rumor das nascentes

quebrando de colina em colina
a memória de tudo
o que não aconteceu ainda.

Não termos aprendido

Revês Auschwitz
e custa-te compreender
não exactamente como foram possíveis os crimes
mas como é possível
tanto tempo depois
não termos aprendido
nada.

Tábua

Aprender a errar
com os erros
sucessivos

[Outra vez Georges de la Tour]

Onde nascem as águas
adormeces
iluminada por dentro