Olhar a lua cheia olhando
as paredes de casa, os muros do tanque,
os troncos pela metade das
alfarrobeiras, as sombras desenhadas
em diagonal,
os cômoros de terra, a água
das noras, os lancis,
o espelho dos degraus.
Como na literatura: ver as coisas
pela sombra que projectam.
quinta-feira, outubro 05, 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
terça-feira, setembro 26, 2006
Os problemas de linguagem, 1
A distância entre a voz e o eco; entre o que escreves e o que lês; entre o que dizes e o que procuras dizer; entre as frases do amor e o logro das rasuradas páginas dos livros.
segunda-feira, setembro 25, 2006
domingo, setembro 24, 2006
A sede
A sede era um dos seus nomes.
(Essa mulher mudava a órbita dos astros
fazia desaparecer as folhas dos livros de ciências que
falavam de planetas distantes
misturava nas levadas uma outra luz ainda próxima das águas subterrâneas
iluminava os pátios a partir das sombras dos meses de novembro
erguia as suas mãos acima das cisternas
tinha o poder antigo de curar ou enlouquecer através das palavras.)
(Essa mulher mudava a órbita dos astros
fazia desaparecer as folhas dos livros de ciências que
falavam de planetas distantes
misturava nas levadas uma outra luz ainda próxima das águas subterrâneas
iluminava os pátios a partir das sombras dos meses de novembro
erguia as suas mãos acima das cisternas
tinha o poder antigo de curar ou enlouquecer através das palavras.)
sábado, setembro 23, 2006
Romance
[Letra para uma música do meu amigo João Cunha]
Quando alguém te perguntar
se a paixão não te tocou
põe o teu olhar mais triste
fala mal de quanto existe
não deixes de suspirar
Por favor guarda segredo
de tudo quanto te disse
não contes que te ofereci
jóias falsas e um rubi
só para que tu sorrisses
Quando virem no teu rosto
uma luz quase invisível
uma luz de fim de Agosto
poisada assim no teu rosto
diz-lhes «isso é impossível»
Fecha-te ao mundo exterior
esconde o teu próprio sorriso
não contes do nosso amor
diz que a vida é um horror
mente quanto for preciso
Que o amor que nós jurámos
seja visto de relance
que os teus olhos só nos meus
nos façam dizer «meu deus
isto é história de romance»
Isto é história de romance
Quando alguém te perguntar
se a paixão não te tocou
põe o teu olhar mais triste
fala mal de quanto existe
não deixes de suspirar
Por favor guarda segredo
de tudo quanto te disse
não contes que te ofereci
jóias falsas e um rubi
só para que tu sorrisses
Quando virem no teu rosto
uma luz quase invisível
uma luz de fim de Agosto
poisada assim no teu rosto
diz-lhes «isso é impossível»
Fecha-te ao mundo exterior
esconde o teu próprio sorriso
não contes do nosso amor
diz que a vida é um horror
mente quanto for preciso
Que o amor que nós jurámos
seja visto de relance
que os teus olhos só nos meus
nos façam dizer «meu deus
isto é história de romance»
Isto é história de romance
sexta-feira, setembro 22, 2006
Não me parece mal
Um poema em que acreditava alguma coisa teve, até ao momento, dez comentários. Dois referiam-se ao poema.
quarta-feira, setembro 20, 2006
terça-feira, setembro 19, 2006
O Tempo, 2
Há uma felicidade quase arrogante nestes rostos
tão afastados da morte. Como se as
águas do rio, as mesmas, uma vez e outra pudessem
regressar às raízes dos amieiros da margem
e ao talude em declive onde os amigos
se juntaram a meio do Verão
contra o futuro e todos os seus nomes
para fixar a preto e branco
a alegria impreterível
de terem do seu lado a juventude.
E a verdade é que, tantos anos depois,
ninguém morreu ou envelheceu.
E só hoje sabemos que há um instante indefinido
em que ficamos vivos para sempre.
tão afastados da morte. Como se as
águas do rio, as mesmas, uma vez e outra pudessem
regressar às raízes dos amieiros da margem
e ao talude em declive onde os amigos
se juntaram a meio do Verão
contra o futuro e todos os seus nomes
para fixar a preto e branco
a alegria impreterível
de terem do seu lado a juventude.
E a verdade é que, tantos anos depois,
ninguém morreu ou envelheceu.
E só hoje sabemos que há um instante indefinido
em que ficamos vivos para sempre.
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