sábado, agosto 05, 2006

«Luz, II»

«Luz, II»: uma arte que privilegia os relevos e os contrastes de cor, luminosidade e textura dos tecidos; mosaicos assimétricos e um labirinto de onde se parte sem fios de regresso.

Domingo, 6 de Agosto, 18 horas: inauguração da exposição de Teresa Patrício na Casa de Cacela.


Quadro de Teresa Patrício da série «Trapologias».

Vocação marítima

sair
das penínsulas
a nado

Os espelhos

devolvida pelos espelhos da água
a lua tropeça
na sua própria luz

quinta-feira, agosto 03, 2006

O seguro

o seguro
morreu
de tédio

A música

nos campos de novembro
a música
é o vento

O Verão

escreves na cal
o que rasuras
nas páginas dos livros

Nos pátios

nos pátios
antes de subir os degraus
o silêncio adormece

quarta-feira, agosto 02, 2006

Agosto

em vez das marés
tu subias e
descias a saia

O desejo

entre os venenos
e a água
vacilas

ter uma bandeira

jcb

terça-feira, agosto 01, 2006

Os dias

preparo a rede.
mas só me interessa
o que lhe escapa

quando sais do mar com uma nuvem dentro da cabeça

jcb


segunda-feira, julho 31, 2006

A água

quase luz ainda
a água
das nascentes

domingo, julho 30, 2006

Atenção! Novidade! Masoquismo! Um cronista de Lisboa insiste em passar férias no Algarve e fala mal do sítio que escolhe para passar as férias!

Eis o retrato, em forma de pergunta, que Clara Ferreira Alves faz do Algarve (suplemento «única», Expresso - link não disponível): «Como é possível estender a toalha numa areia preta, carregada de detritos, que nenhum autarca desses do Sul decidiu tornar habitável?».

A gente já nem fica de pé atrás: este é o discurso dos cronistas que são obrigados a escrever semanalmente e, em chegando o Verão, por falta de assunto, invariavelmente, contam a experiência dum restaurante cheio de cronistas onde os empregados não dão para as encomendas e a anchova escalada passou do ponto na grelha. A gente já compra os jornais, em fins de Julho, à espera deste queixumezinho saloio disfarçado de elitismo caprichoso. E já nem liga.

Mas, enfim, não pode deixar de preocupar-se: que praias anda a Clara Ferreira Alves a escolher no Algarve? Areia preta e carregada de detritos? Ó Clara, desculpe o atrevimento: mas quem é o seu conselheiro de férias? Vossemecê não andará equivocada com a geografia? Ou faz questão de chafurdar, escolhendo, não se compreendendo por que razões objectivas, a não ser por amor à literatura e ao efeito da frase, uma putativa praia remota onde as areias são pretas e carregadas de detritos? Aqui ao lado de onde agora se escreve, a escassas centenas de metros, uns autarcas desses do Sul garantem diariamente a limpeza das praias, pelo fim da tarde, não obstante as dificudades de remoção dos detritos que os cronistas aí espalham com desvelo. Essas, já se vê, vossemecê não conhece...

De resto, claro, Clara, estamos de acordo: nada a fazer quando um milhão e meio de gentinha decide acampar no Algarve durante o Agosto. Por mim – no problem: as probabilidades estatísticas de eu e a Clara nos encontrarmos no Algarve, durante as próximas semanas, são escassas: nós, de costume, saímos daqui quando vocês nos demandam; e só regressamos quando vocês, depois de por aqui deambularem e falando mal, regressam a Lisboa e às redacções.

O Verão: Lábios e torneira de cerejas




jcb. Lábios e torneira de cerejas. Óleo sobre tela.

O Verão: apontamentos, 2

jcb

O Verão: apontamentos






jcb

As uvas de Julho

jcb


As noites de Julho, 2

jcb


quinta-feira, julho 27, 2006

As ameixas

jcb


As ameixas ficam sempre à espera da luz mais intensa do Verão: obstinadas, orgulhosas, como se não precisassem da água ou da sombra, como se pudessem amadurecer apenas de ser o Verão. E é assim que chegam às nossas mãos impacientes nos últimos dias de Julho: cúmplices do ar quase rarefeito e deste céu muito azul de trazer de longe as suas aves vagarosas.