o seguro
morreu
de tédio
quinta-feira, agosto 03, 2006
quarta-feira, agosto 02, 2006
terça-feira, agosto 01, 2006
segunda-feira, julho 31, 2006
domingo, julho 30, 2006
Atenção! Novidade! Masoquismo! Um cronista de Lisboa insiste em passar férias no Algarve e fala mal do sítio que escolhe para passar as férias!
Eis o retrato, em forma de pergunta, que Clara Ferreira Alves faz do Algarve (suplemento «única», Expresso - link não disponível): «Como é possível estender a toalha numa areia preta, carregada de detritos, que nenhum autarca desses do Sul decidiu tornar habitável?».
A gente já nem fica de pé atrás: este é o discurso dos cronistas que são obrigados a escrever semanalmente e, em chegando o Verão, por falta de assunto, invariavelmente, contam a experiência dum restaurante cheio de cronistas onde os empregados não dão para as encomendas e a anchova escalada passou do ponto na grelha. A gente já compra os jornais, em fins de Julho, à espera deste queixumezinho saloio disfarçado de elitismo caprichoso. E já nem liga.
Mas, enfim, não pode deixar de preocupar-se: que praias anda a Clara Ferreira Alves a escolher no Algarve? Areia preta e carregada de detritos? Ó Clara, desculpe o atrevimento: mas quem é o seu conselheiro de férias? Vossemecê não andará equivocada com a geografia? Ou faz questão de chafurdar, escolhendo, não se compreendendo por que razões objectivas, a não ser por amor à literatura e ao efeito da frase, uma putativa praia remota onde as areias são pretas e carregadas de detritos? Aqui ao lado de onde agora se escreve, a escassas centenas de metros, uns autarcas desses do Sul garantem diariamente a limpeza das praias, pelo fim da tarde, não obstante as dificudades de remoção dos detritos que os cronistas aí espalham com desvelo. Essas, já se vê, vossemecê não conhece...
De resto, claro, Clara, estamos de acordo: nada a fazer quando um milhão e meio de gentinha decide acampar no Algarve durante o Agosto. Por mim – no problem: as probabilidades estatísticas de eu e a Clara nos encontrarmos no Algarve, durante as próximas semanas, são escassas: nós, de costume, saímos daqui quando vocês nos demandam; e só regressamos quando vocês, depois de por aqui deambularem e falando mal, regressam a Lisboa e às redacções.
A gente já nem fica de pé atrás: este é o discurso dos cronistas que são obrigados a escrever semanalmente e, em chegando o Verão, por falta de assunto, invariavelmente, contam a experiência dum restaurante cheio de cronistas onde os empregados não dão para as encomendas e a anchova escalada passou do ponto na grelha. A gente já compra os jornais, em fins de Julho, à espera deste queixumezinho saloio disfarçado de elitismo caprichoso. E já nem liga.
Mas, enfim, não pode deixar de preocupar-se: que praias anda a Clara Ferreira Alves a escolher no Algarve? Areia preta e carregada de detritos? Ó Clara, desculpe o atrevimento: mas quem é o seu conselheiro de férias? Vossemecê não andará equivocada com a geografia? Ou faz questão de chafurdar, escolhendo, não se compreendendo por que razões objectivas, a não ser por amor à literatura e ao efeito da frase, uma putativa praia remota onde as areias são pretas e carregadas de detritos? Aqui ao lado de onde agora se escreve, a escassas centenas de metros, uns autarcas desses do Sul garantem diariamente a limpeza das praias, pelo fim da tarde, não obstante as dificudades de remoção dos detritos que os cronistas aí espalham com desvelo. Essas, já se vê, vossemecê não conhece...
De resto, claro, Clara, estamos de acordo: nada a fazer quando um milhão e meio de gentinha decide acampar no Algarve durante o Agosto. Por mim – no problem: as probabilidades estatísticas de eu e a Clara nos encontrarmos no Algarve, durante as próximas semanas, são escassas: nós, de costume, saímos daqui quando vocês nos demandam; e só regressamos quando vocês, depois de por aqui deambularem e falando mal, regressam a Lisboa e às redacções.
quinta-feira, julho 27, 2006
As ameixas
jcb

As ameixas ficam sempre à espera da luz mais intensa do Verão: obstinadas, orgulhosas, como se não precisassem da água ou da sombra, como se pudessem amadurecer apenas de ser o Verão. E é assim que chegam às nossas mãos impacientes nos últimos dias de Julho: cúmplices do ar quase rarefeito e deste céu muito azul de trazer de longe as suas aves vagarosas.

As ameixas ficam sempre à espera da luz mais intensa do Verão: obstinadas, orgulhosas, como se não precisassem da água ou da sombra, como se pudessem amadurecer apenas de ser o Verão. E é assim que chegam às nossas mãos impacientes nos últimos dias de Julho: cúmplices do ar quase rarefeito e deste céu muito azul de trazer de longe as suas aves vagarosas.
domingo, julho 16, 2006
As noites de Julho
As noites de Julho descem
devagar os degraus das açoteias.
E uma luz fica ainda
nas tijoleiras vermelhas,
adormecida, como se a manhã
precisasse desse orgulho
remanescente para recomeçar
os seus trabalhos de água.
devagar os degraus das açoteias.
E uma luz fica ainda
nas tijoleiras vermelhas,
adormecida, como se a manhã
precisasse desse orgulho
remanescente para recomeçar
os seus trabalhos de água.
sábado, julho 15, 2006
quarta-feira, julho 12, 2006
Como nos livros
Falavam desse tempo como se a vida
não tivesse acontecido antes nem depois:
da neve a descer dos cumes, da chuva a entrar devagar
nos bosques de bétulas, das navalhas
a cortar a casca vagarosa dos lódãos, das águas
das presas, das tábuas de esquadria
arrumadas nos pátios. Como dizer de outro modo
que a vida pode ser um rosto,
uma única lágrima, uma única voz
que nenhum parágrafo devolve?
não tivesse acontecido antes nem depois:
da neve a descer dos cumes, da chuva a entrar devagar
nos bosques de bétulas, das navalhas
a cortar a casca vagarosa dos lódãos, das águas
das presas, das tábuas de esquadria
arrumadas nos pátios. Como dizer de outro modo
que a vida pode ser um rosto,
uma única lágrima, uma única voz
que nenhum parágrafo devolve?
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