domingo, abril 02, 2006

Começou hoje a Primavera

jcb



2 de Abril de 2006; caixa-ninho da alfarrobeira; nasceram hoje as primeiras seis caldeirinhas-bebé; faltam quatro.

sexta-feira, março 31, 2006

[O Homem de Palavras, 2]

jcb

[2 cv.]

jcb

terça-feira, março 28, 2006

Só então o milagre, 2

jcb




28 de Março de 2006; caixa-ninho da alfarrobeira; 10 ovos de caldeirinha.

Só então o milagre, 1

Os dias claros, leves ainda
de regressarem as aves
dos relevos da península
deixando o azul das águas da ria

pendurado nos ramos
das figueiras, agarrado
à cal dos muros dos tanques,
poisado na tijoleira

das açoteias, nos
fios de esparto, nas mãos
demoradas das crianças

a ver chegar a noite
por detrás dos espelhos:
só então o milagre.

memória do Verão

o reflexo da cal
na água do tanque

uma ave
ou um relâmpago

sem título

tocar
a tua pele
ou um eléctrodo

canção antiga

antes das nascentes
as águas
de março

[O Homem de Palavras]

jcb

[Noite, IV]


jcb

domingo, março 26, 2006

Quase em Abril

Quase em Abril: as folhas das figueiras abrem com a água.

Nos fins de Março

Nos fins de Março, a meio da tarde, uma página em branco (ou um verso) parece esconder-se (ou anunciar-se) nas flores das ameixeiras.

[Pub]


Primavera: a nova imagem da casa propriamente dita:



sábado, março 25, 2006

É esta luz

É esta luz intensa do meio
da tarde que me faz
pensar nos mistérios do mundo:
no amor, no desejo, na morte,

no voo desamparado
das aves nas vésperas
do equinócio,
no modo como as famílias

nos dias intermináveis de domingo
circulam quase sem destino
entre as residências

das periferias
e os estacionamentos subterrâneos
do centro comercial.

quinta-feira, março 23, 2006

Literatura (falam as personagens)

o meu amor por ti era tão real que cheguei a acreditar que não éramos simples personagens dum romance premiado no círculo de leitores.

nos primeiros capítulos eu desejava-te mais do que é possível imaginar que seja possível amar nas páginas dum livro.

um amor assim não se compadecia com a estrutura narrativa daquela novela de cordel elogiada no expresso.

na página 164 era suposto eu fazer-te uma declaração de amor.

em mim o Autor mesmo quando supõe o contrário não manda a ponta dum corno.

Cena dum filme de Manoel de Oliveira

Uma biblioteca do séc. XIX. Penumbra. A jovem estudante de filosofia descruza as pernas e deixa cair a chinela. O mestre baixa-se muito lentamente, fascinado, sobressaltadamente excitado. Apanha a chinela. O plano fixo parece durar uma eternidade. Na cena seguinte vê-se o pé da estudante de filosofia, as unhas cresceram-lhe, o plano abre, estão ambos mais velhos.

quarta-feira, março 15, 2006

A abertura dos noticiários



jcb: canetas e lápis de cor sobre papel.

terça-feira, março 14, 2006

Segredos

Revelavas apenas
o que escondias, como essas
manhãs de névoa em
que tudo subitamente

fica claro e limpo,
leve e luminoso,
trazendo à transparência
os segredos, as traições,

as ocultas frases do amor,
como num livro em branco
onde a nossa história

triste se desenhasse
com todas as letras em cada
uma das suas páginas.

Meados de Março


jcb

sábado, março 11, 2006

Em Março

A meio da noite ainda
fria de Março, atravessando
a Praça desenhada para o Verão,
temíamos o silêncio

de nem a memória nos devolver
a corrida das crianças
iluminadas por dentro,
a luz da tarde a incendiar

o azul e o amarelo dos toldos,
o lume aceso nos lancis de mármore,
os copos de cerveja gelada
poisados em mesas de resina,

a juventude indecisa
e o acerto dos seus erros.