<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868</id><updated>2009-12-30T00:24:28.241Z</updated><title type='text'>Casa de Cacela</title><subtitle type='html'>Até ver: esboços de folhetim. Perguntas: José Carlos Barros, blogcacela@gmail.com</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1219</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-423531999858402668</id><published>2009-12-29T18:39:00.003Z</published><updated>2009-12-29T18:44:28.749Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>3.&lt;br /&gt;Francisco olha a paisagem enquanto a camioneta da carreira prossegue por estradas sinuosas; a cortina da chuva a diluir contornos; a esconder. E pensa que chegou num dia perfeito a um lugar que não lhe pertence e que, provavelmente, nunca poderá pertencer-lhe: porque lhe interessa sobretudo o que está por detrás das evidências; o que se esconde. A Vila, por exemplo: casas e ruas e árvores escondidas por detrás da chuva de Novembro quando a camioneta pára no Largo do Toural. A chuva a não deixar ver mais do que interessa verdadeiramente ver para compreender a alma dos lugares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-423531999858402668?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/423531999858402668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=423531999858402668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/423531999858402668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/423531999858402668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/3.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-5876357845845772312</id><published>2009-12-29T18:38:00.000Z</published><updated>2009-12-29T18:39:06.936Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>2.&lt;br /&gt;Todos temos um lugar que julgamos pertencer-nos. E no entanto somos nós que pertencemos aos lugares. Às suas ruas ou casas, às suas nascentes ou árvores, aos seus largos, aos seus tanques, aos seus muros e às sombras dos muros. É verdade que uma paisagem é quase sempre o resultado do que fizemos dela: do modo como desviámos ou represámos águas, arroteámos florestas, cortámos pedra e erguemos paredes. Mas é a força dos lugares (mesmo depois do primeiro olhar de um homem sobre as encostas e os vales, mesmo depois da primeira mão modeladora, mesmo quando do que eram [esses lugares pretéritos] ficou um irreconhecível retrato) o que prevalece e impõe. O que prevalece sobre a obstinação e a vontade; o que se impõe sobre a coragem, o esforço, a audácia de procurar afeiçoar a um corpo o que vem de mais longe que a mão e a ideia de construir uma casa e um terraço virado aos dias de Verão. Deus, provavelmente, é a resposta (uma resposta) a esse incontornável poder dos lugares sobre os homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-5876357845845772312?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/5876357845845772312/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=5876357845845772312' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5876357845845772312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5876357845845772312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/2.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-5815710056708062289</id><published>2009-12-22T00:31:00.002Z</published><updated>2009-12-29T18:38:50.216Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Capítulo VII&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;[Onde se conta de uma fuga e da impossibilidade de fugirmos quando aquilo de que se foge segue por dentro de nós mesmos.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;1.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa não é fugir do amor: Francisco Gonçalves fugia de si mesmo. E foi assim que chegou: num fim de manhã de Novembro de mil novecentos e setenta e um. Chovia. A chuva diluía a linha ondulada dos montes, o recortado das bermas da estrada, os taludes a pique, os campos delimitados por sebes de silvado e álamos brancos, as árvores inclinadas. A água da chuva deixava fios oblíquos nos vidros da camioneta da carreira; fundava uma cortina translúcida onde a realidade e a vertigem começavam a misturar-se. Francisco sentia que alguma coisa o separava do mundo verdadeiro. Aos poucos: um silêncio, um ruído de fundo, uma dissonância. Maria do Rosário está próxima e ausente. Não poderá esquecê-la. Francisco vai sozinho na camioneta da carreira, sentado num banco duplo, e é como se Maria do Rosário o acompanhasse. Como se fosse consigo: a pele muito branca quase de neve, os cabelos claros a poisar-lhe nos ombros, os olhos transparentes. Haveriam de dar as mãos. Se estivessem juntos. E seguir assim, por entre a chuva, a fugir do passado; da sombra intolerável dos dias que jurámos nunca mais lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-5815710056708062289?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/5815710056708062289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=5815710056708062289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5815710056708062289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5815710056708062289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/capitulo-vii-onde-se-conta-de-uma-fuga.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-1530547129243102145</id><published>2009-12-02T01:50:00.002Z</published><updated>2009-12-02T11:21:01.136Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>19.&lt;br /&gt;O sargento desculpa-se. Uma indisposição. Uma leve náusea. Sai da Casa de Pasto (Lucinda a devolver-lhe um sorriso cúmplice por detrás do balcão) e olha a noite suspensa do brilho das inúmeras estrelas poisadas nos telhados das casas. Nem uma aragem. Sobe a Rua Vinte e Oito de Maio; dois candeeiros a iluminar uma parte do pomar de macieiras e a recortar o perfil das árvores contra a encosta do Padrão; pára, desce os degraus de pedra da fonte de mergulho, recolhe a água de nascente nas mãos em concha e espalha no rosto essa água fria como se assim pudesse regressar a uma ordem que sentia perder, a uma cronologia baralhada pela noite de Junho; sobe enfim os degraus, chega à rua, segue até ao Largo do Toural, sente que a sombra do espinheiro-da-Virgínia o persegue ao longo da Rua Direita como um fantasma que sobrevivesse do silêncio e da devastação do tempo. E é então que ouve as batidas do relógio da torre: nove badaladas. São nove da noite. Francisco sobe a escaleira exterior do Posto da Guarda, roda a chave por duas vezes na fechadura da porta de carvalho, entra, acende a luz. Geninha (o perfume forte do arando) está deitada no sofá do gabinete de trabalho. A luz poisada no seu rosto, o seu rosto a iluminar a noite. Apetece-lhe tocar esse rosto; esse corpo adormecido. Está calor. Abre a janela de guilhotina. A luz da manhã e a luz do corpo de Geninha misturam-se no gabinete do Posto da Guarda. São nove da noite. É uma manhã de domingo. Francisco deita-se ao lado de Geninha (de Lucinda? de Maria do Rosário?) e adormece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-1530547129243102145?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/1530547129243102145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=1530547129243102145' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1530547129243102145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1530547129243102145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/19.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-341148994609730170</id><published>2009-12-02T01:36:00.001Z</published><updated>2009-12-02T01:36:47.157Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>18.&lt;br /&gt;«Hoje parece um bocado macambúzio, ó amigo sargento. Não me diga que há por aí algum amor assolapado.» O doutor Pinheiro fala com a ironia do costume. Sabe (como todos) que Geninha não apenas faz a limpeza do pó das estantes e dos armários do Posto da Guarda; e, como todos, não pode deixar de imaginar o exercício (oh a invídia, essa espécie de loucura) de recolher nas mãos a luz do corpo de Geninha, o rumor de uma pele que parece reverter das nascentes subterrâneas das colinas do Crasto. Francisco tem um copo vazio nas mãos. E olha, surpreendido, os companheiros de mesa: Matias, o doutor Pinheiro, o Albano da Loja Nova: não deu por que tivessem chegado; não deu por que o tempo tivesse movido os seus fios abstractos. Lucinda, a Muda, acaba de poisar uma garrafa de vinho na mesa coberta por uma toalha de plástico com quadrados brancos e vermelhos. São nove e quarenta da noite no relógio da parede. O sargento Gonçalves olha o sorriso escuso de Lucinda e imagina que ninguém no mundo conhece o segredo desse sorriso; olha-a enquanto se afasta, quase sem tocar o chão, a caminho do balcão envernizado. Lucinda, Geninha, Maria do Rosário. O tempo em camadas sobrepostas. O que é o amor? Pensa: «Estou a enlouquecer.» Mas diz apenas: «Pois a verdade, amigo doutor, é que ando aqui às voltas com o Eleutério.». Lucinda aproxima-se de novo, traz nas mãos um pano húmido, deixa por instantes o seu braço encostado ao braço de Francisco Aniceto Gonçalves, os cabelos soltos nos ombros, livres, os cabelos esvoaçando enquanto, num movimento circular, passa o pano húmido na toalha de plástico. O súbito silêncio é quebrado pelo Albano: «Você quer mesmo foder-nos a noite. Deixe lá esse filho da puta na paz com os anjos. E beba-lhe mas é um copo.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-341148994609730170?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/341148994609730170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=341148994609730170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/341148994609730170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/341148994609730170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/18.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-6652657862696245511</id><published>2009-12-02T01:24:00.001Z</published><updated>2009-12-02T01:24:23.892Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>17.&lt;br /&gt;Francisco Gonçalves reflecte sobre o amor. Nunca acreditou no amor. Talvez (concede) por nunca ter acreditado em si mesmo: nessa capacidade de entregar-se até deixar de ser em si o que sente do outro. E, no entanto, nesta noite de Junho, sentado a uma mesa da Guiomar, que sentido faz uma reflexão sobre o amor? O sargento tem em mãos a investigação de um crime. Supôs que a Casa de Pasto seria o lugar certo para deixar as ideias fluir com leveza; nesse espaço que permite o recolhimento e, em simultâneo, a dispersão (uma frase solta, um comentário, uma observação) tantas vezes indispensável à reordenação lógica dos eventos. Alcino Medeiros está preso na cadeia civil, ali a dois passos (do outro lado da rua), reafirmando a culpa enquanto aguarda julgamento; os depoimentos das duas únicas testemunhas do crime apontam para um segundo suspeito (António Augusto Medeiros) que, de resto, as demandas prévias dos seus agentes preguiçosos e desmotivados parecem confirmar; mas ao sargento não lhe interessa senão colocar uma terceira (e absurda) hipótese: Eleutério: vítima e (acredita) único responsável do assassinato cujo mistério tem por obrigação resolver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-6652657862696245511?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/6652657862696245511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=6652657862696245511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/6652657862696245511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/6652657862696245511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/17.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-923551014252628221</id><published>2009-12-02T01:16:00.001Z</published><updated>2009-12-02T01:16:48.257Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>16.&lt;br /&gt;Todos os amores são impossíveis. Porque o amor pressupõe a absoluta entrega de um no outro. E essa absoluta entrega não admite a assimetria. Por isso os amores são impossíveis: há, no amor, a exigência (em permanência) da reciprocidade: o amor acaba quando um começa a desculpar as falhas do outro: o excessivo amor é já o reconhecimento da sua impossibilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-923551014252628221?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/923551014252628221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=923551014252628221' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/923551014252628221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/923551014252628221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/12/16.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-8321411072903644044</id><published>2009-11-22T22:54:00.001Z</published><updated>2009-11-22T22:55:05.879Z</updated><title type='text'>[Intervalo]</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-8321411072903644044?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/8321411072903644044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=8321411072903644044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/8321411072903644044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/8321411072903644044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/intervalo.html' title='[Intervalo]'/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-7760538270434637501</id><published>2009-11-12T00:46:00.001Z</published><updated>2009-11-12T00:46:42.459Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>15.&lt;br /&gt;O sargento Francisco Gonçalves pensava ter a certeza de estar sozinho na mesa do fundo da Guiomar; e de que ninguém chegara, entretanto, enquanto procurava mentalmente rever o percurso (que provavelmente não terá percorrido) entre o Posto da Guarda e a Casa de Pasto. E, no entanto, Matias está sentado diante de si, à mesma mesa, um baralho de cartas nas mãos, um sorriso sardónico [há expressões que não abandonam os leitores de policiais]. «Pois é como lhe digo. O amigo sargento, ontem à noite, bem me fodeu. Eu a meter o ás sem me aperceber da sua esbalda no ouro.» Mas Francisco estava certo de que na noite anterior não tinha fodido ninguém na sueca; de que não houve baldas de nenhum naipe; de que nem sequer se tinha chegado a jogar. Olha o relógio. São quase nove da noite. E então estende a mão para a garrafa de vinho que acabara de tocar; as mãos a tremer; a procurar concentrar-se; a procurar regressar a um instante de lucidez. Mas não há nenhuma garrafa em cima da mesa. Só esse sorriso imenso no rosto imenso do Matias a dizer «tenha calma, amigo sargento; já pedi outra».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-7760538270434637501?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/7760538270434637501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=7760538270434637501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7760538270434637501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7760538270434637501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/15.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-9123847539688904238</id><published>2009-11-12T00:26:00.003Z</published><updated>2009-11-12T00:46:29.556Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>14.&lt;br /&gt;Francisco está sentado na mesa do fundo da Guiomar e tem a súbita revelação de que há camadas de tempo que se tocam ou sobrepõem. Olha o relógio: são nove da noite. E passavam já alguns minutos das nove da noite quando se despediu de Geninha à porta do Posto da Guarda. (Toca o gargalo da garrafa de vinho dos mortos; sente as mãos a tremer; procura concentrar-se; regressar a si mesmo.) Recorda-se, é certo, de ter começado a descer a Rua Direita e de imaginar que o perfume do arando estava entranhado no seu corpo e nos passeios e nas paredes das casas. Mas não retém a mínima memória de passar diante do átrio muito iluminado da Casa do Brasileiro, de chegar ao Largo do Toural e confrontar-se com o tronco e os ramos densos do espinheiro-da-Virgínia, de deixar a fonte de mergulho e o pomar de macieiras pela banda do nascente a caminho do edifício da Casa de Pasto e a essa velada nuvem de sombra que parecia em permanência separá-lo (ao edifício) do mundo natural. Francisco tem a súbita revelação de que a passagem do tempo é uma abstracção desenhada (consentida) pela parte de nós que foi ensinada a render-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-9123847539688904238?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/9123847539688904238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=9123847539688904238' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/9123847539688904238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/9123847539688904238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/14.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-1088710055015950444</id><published>2009-11-09T00:01:00.000Z</published><updated>2009-11-09T00:01:00.431Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>13.&lt;br /&gt;A Casa de Pasto Guiomar era quase tão velha como a Vila [merecia um folhetim]. Um postal do Serviço Nacional de Informação [s/d, p/b, c. 1970] mostra o edifício antigo de perpianho grosseiro, de um único piso (típico, rústico) e dois únicos vãos abertos à antiga Estrada Real que ligava Aquae Flaviae a Bracara Augusta. (Se nos adiantássemos à história, e não é o caso, dir-se-ia que o edifício seria demolido pouco depois para dar lugar à Casa da Câmara e aos jardins com abundante cópia de elementos representativos da ruralidade que, e ó mais não tardaria, haveria de começar a perder-se.) O sargento Francisco Gonçalves passava pela Guiomar (isto é um modo de dizer) quase todas as noites. Como nessa noite. Vestiu-se, fechou a porta do Posto da Guarda, despediu-se de Geninha e desceu a Rua Direita com a estranha sensação de que o perfume do arando estava entranhado no seu corpo e nos passeios e nas paredes das casas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-1088710055015950444?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/1088710055015950444/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=1088710055015950444' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1088710055015950444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1088710055015950444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/13.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-1375240711971840589</id><published>2009-11-07T17:27:00.003Z</published><updated>2009-11-07T17:44:52.055Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>12.&lt;br /&gt;Nenhuma experiência nos socorre no amor. Nunca sabemos nada. Um corpo é permanentemente a água pretérita das nascentes: ainda dividida entre o lume e a nuvem. É preciso não temer o erro. É preciso aprender, uma e outra vez, sempre, como se fosse, sempre, a primeira vez. Porque andam quase sempre juntos: o erro e a revelação. Os joelhos nus de Geninha, por exemplo. Francisco olha as pernas de Geninha e sente que é a primeira vez que essa luz aparece à face da terra: a iluminar os relevos das colinas ou as folhas dos negrilhos, as margens dos rios, as pedras sobrepostas dos muros das propriedades. Quase teme tocar essa pele poderosa (a noite a subir os cômoros das vinhas). E quando, finalmente, as suas mãos poisam nas pernas de Geninha, e depois as acariciam no pressentimento dos milagres, é como se uma palavra, e depois outra, começassem a espalhar a toda a largura do vale os primeiros nomes do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-1375240711971840589?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/1375240711971840589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=1375240711971840589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1375240711971840589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/1375240711971840589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/12.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-106306847433286813</id><published>2009-11-05T00:05:00.005Z</published><updated>2009-11-05T17:15:01.562Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>11.&lt;br /&gt;É certo que Alcino confessou o crime e que nenhum dos agentes da Guarda compreendia a obsessão do chefe em dilucidar um caso que, em rigor, não existia. Francisco desistira de explicar-lhes que a verdade se esconde nas folhas das árvores, nas sombras volúveis das colinas, no rumor das correntes. Relembrou-lhes apenas os depoimentos do Orlando e do Ramiro: Orlando a dizer que os ouvira aos berros (a Eleutério e António Augusto), e que António Augusto subia a vereda dos Matos quando (ele, Orlando) chegou ao pontilhão e viu um corpo estendido no chão, os olhos abertos, a sombra de uma nuvem de pássaros a tapar-lhe o rosto como se tivesse apenas adormecido; Ramiro a repetir as exactas palavras do Orlando, espaçadas em desassossego, em sobressalto, «estou que o António Augusto endoideceu», enquanto uma sombra espessa poisava nesse rosto inerme e o alvoroçado voo dos filhos da puta dos pássaros se misturou ao sangue (tão recente) espalhado nas lajes como metal reluzente. Uma ligeira dúvida, enfim, instalou-se nos rostos fechados dos agentes da autoridade (quatro, nesse momento, ao serviço): talvez, sim, ao fim e ao cabo, pudesse haver dois suspeitos. Entreolharam-se; olharam o chefe; semicerraram as pálpebras; via-se que estavam disponíveis para ouvir argumentos novos; avaliar cenários. Mas o sargento Francisco Aniceto Gonçalves guardou para si mesmo o essencial do raciocínio; fechou-se em copas. Não valeria a pena explicar-lhes que, a seu ver, o principal suspeito era outro: Eleutério. E quase sorriu para dentro a imaginar o efeito da revelação. Como haveriam os seus homens de conceber que o principal suspeito fosse a própria vítima do crime?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-106306847433286813?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/106306847433286813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=106306847433286813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/106306847433286813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/106306847433286813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/11.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-5890346409179146678</id><published>2009-11-05T00:02:00.001Z</published><updated>2009-11-05T00:02:39.552Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>10.&lt;br /&gt;É quase a noite. O perfume do arando continua a invadir a sala como se tivesse ficado agarrado aos objectos ou não corresse uma brisa e a janela (de guilhotina) estivesse fechada e ninguém se movesse ou respirasse e não houvesse a mínima possibilidade de renovação do ar. Geninha lava os pés ao sargento. Está sentada num minúsculo banco de criança; ele numa cadeira alta de espaldar; ela a saia leve assim a descair de ter as pernas erguidas, afastadas, os joelhos nus; ele (olhando os joelhos nus de Geninha) a procurar arrumar as peças do tabuleiro, a puxar os fios dispersos da trama complexa desse fim de tarde de Junho no pontilhão de Valdarada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-5890346409179146678?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/5890346409179146678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=5890346409179146678' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5890346409179146678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5890346409179146678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/10.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-9184186810982899557</id><published>2009-11-04T23:21:00.001Z</published><updated>2009-11-04T23:30:08.426Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>9.&lt;br /&gt;As versões não coincidem. (Nunca coincidem.) Mesmo que cada um dos intervenientes procure (procurasse) dizer a verdade; mesmo que dissesse a verdade. Porque a verdade é uma aranha de teias múltiplas: estamos diante de um espelho e é outra a imagem que o espelho nos devolve de nós mesmos. Francisco Aniceto Gonçalves desistiu há muito de procurar a verdade onde é suposto a verdade inscrever-se. Procura o que está por detrás das palavras, das evidências: no entendimento de que somos quase tudo menos o que pensamos ser ou os outros pensam que somos; no entendimento de que a realidade existe algures (longe) sob camadas espessas de sedimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-9184186810982899557?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/9184186810982899557/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=9184186810982899557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/9184186810982899557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/9184186810982899557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/9.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-7490821493731336087</id><published>2009-11-02T00:07:00.001Z</published><updated>2009-11-02T00:07:48.504Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>8.&lt;br /&gt;Toda a gente sabe que Geninha lava os pés ao sargento. E toda a gente fala disso. A Vila não demorou a demarcar territórios; a erguer barreiras defensivas. Porque o costume exige de Geninha o segredo e a dissimulação. Não está em causa que tenha um caso com o sargento: portas adentro, sem alarido, tenha ela os casos que quiser. O que é inaceitável é a insubmissão assumida do seu olhar e dos seus gestos; o sorriso que permanece aberto como sempre foi (na rua, na igreja); a displicência diante da revelação de uma intimidade; quase o orgulho ostensivo de ser livre. Por isso a Vila reagiu: corpo bem delimitado a funcionar, prudente, como um todo homogéneo na diversidade dos seus elementos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-7490821493731336087?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/7490821493731336087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=7490821493731336087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7490821493731336087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7490821493731336087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/8.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-7183801335495242633</id><published>2009-11-02T00:01:00.006Z</published><updated>2009-11-02T00:12:00.198Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[Geninha]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/Su4jjNwQamI/AAAAAAAAA2U/MrDi7JT9Eh8/s1600-h/geni_1_B.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 198px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/Su4jjNwQamI/AAAAAAAAA2U/MrDi7JT9Eh8/s200/geni_1_B.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399292091158260322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-7183801335495242633?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/7183801335495242633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=7183801335495242633' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7183801335495242633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7183801335495242633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/geninha.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/Su4jjNwQamI/AAAAAAAAA2U/MrDi7JT9Eh8/s72-c/geni_1_B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-4613441117463630180</id><published>2009-11-01T18:42:00.004Z</published><updated>2009-11-01T23:30:45.587Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>7.&lt;br /&gt;Só a placa metálica aparafusada na empena de perpianho grosseiro, com as letras a branco sobre fundo azul, distingue o Posto da Guarda das restantes casas (tirante, claro, a Casa do Brasileiro). Pouco foi preciso mudar na estrutura edificada: a corte dos recos, no rés-do-chão, deu lugar à secretaria e a uma sala de arrumos confusos; e a escaleira exterior, como antigamente levava às divisões da casa, agora dá entrada a uma pequena sala onde se lê o jornal e se ouvem relatos de futebol e, daí, em partes opostas do corredor, ao gabinete do chefe, a um quarto reservado e à camarata de dois beliches. O contrato com Geninha resumia-se à limpeza do Posto. Mas a disciplina militar responsabilizava os agentes da Guarda até à vassoura, à esfregona e à colcha das camas. Pouco ficava para fazer: Geninha chegava ao fim da tarde e limpava o pó das secretárias e dos armários com um pano húmido. Às vezes trazia uma sopa, um guisado, em pequenos tachos tapados com panos de cozinha, e ficava sentada ao lado de Francisco a vê-lo comer. E todas as noites, mais cedo, mais tarde, sem tempo, numa bacia de cobre, lavava-lhe os pés.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-4613441117463630180?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/4613441117463630180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=4613441117463630180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/4613441117463630180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/4613441117463630180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/11/7.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-3642297233671843629</id><published>2009-10-28T22:44:00.001Z</published><updated>2009-10-28T22:47:11.786Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[o Posto da Guarda]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/SujJasX3ceI/AAAAAAAAA1s/SqghDSMTKLI/s1600-h/posto_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 235px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/SujJasX3ceI/AAAAAAAAA1s/SqghDSMTKLI/s400/posto_1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397785613828583906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-3642297233671843629?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/3642297233671843629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=3642297233671843629' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/3642297233671843629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/3642297233671843629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/blog-post_28.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_77R-veQyLCk/SujJasX3ceI/AAAAAAAAA1s/SqghDSMTKLI/s72-c/posto_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-4251717689366436371</id><published>2009-10-28T00:01:00.000Z</published><updated>2009-10-28T00:02:51.430Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>6. &lt;br /&gt;É recorrente a ideia de que tudo seria diferente ao longo da vida, para melhor, se em cada momento, um após outro, soubéssemos o que sabíamos hoje. Este entendimento parte do pressuposto (consensual) de que aprendemos com os erros e de que a experiência nos permite decisões mais acertadas; de que o conhecimento e a experiência nos defendem do mundo e nos ajudam a escolher melhor as casas e os caminhos. Francisco, pelo contrário, acredita que nenhuma experiência nos vale quando precisamos dela; que estamos sozinhos sempre que puxamos os fios dos labirintos ou riscamos um percurso nas cartas de rumos; como se fosse (sempre) a primeira vez. Francisco, aliás, considerava a experiência como um estorvo de que procurava, em permanência, livrar-se. O passado (camadas de sedimento feitas de conhecimento e experiências) é um fantasma que baralha e ilumina até deixarmos de ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-4251717689366436371?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/4251717689366436371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=4251717689366436371' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/4251717689366436371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/4251717689366436371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/6_28.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-8172608105280608192</id><published>2009-10-25T01:41:00.000+01:00</published><updated>2009-10-25T01:41:18.422Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>5.&lt;br /&gt;Francisco olha pela janela a vinha e o pomar de macieiras, as sombras do fim de tarde poisadas junto aos cômoros. E um perfume novo entra na sala. Geninha. O perfume do arando, primeiro, abrindo a porta, e logo depois, em aproximando-se, o odor da resina das araucárias. Bem certo é que os milagres existem; momentos de revelação. Francisco recorda: «Entre, senhor sargento. Já sabe que é casa de pobre.» A mãe muito pressurosa; uma divisão única, escura; um vão minúsculo aberto na parede do fundo; e um feixe estreito de luz poisado no rosto de Geninha. Um feixe de luz a incidir no seu rosto, a cortar em lâmina a escuridão da divisão ampla; e era como se a luz lhe viesse de dentro. Geninha olhou-o, sorriu. E logo baixou os olhos para a mesa, para a taça de barro decorada onde juntara as bagas de mirtilo e as uvas brancas. Num tacho de ferro, no fogão de dois bicos, a água haveria de aquecer em lume brando; e os frutos haveriam de ser esmagados até se dissolverem no açúcar abundante e se chegar ao ponto (e o ponto é o único segredo). Francisco não esqueceria (passaram meses) o odor dos frutos minúsculos, quase negros, quase azuis, de um embaciado púrpura que a futura compota (de bagos de uva acrescentados aos mirtilos) transformaria num polme (entre mel e geleia) quase transparente. Sobre a mesa, além da taça com as uvas e as bagas colhidas nas margens da Presa das Tílias, um ramo de arando deixava no ar esse aroma leve que o sargento Francisco ainda agora imagina que ficou colado para sempre à pele muito escura (morena) de Geninha, aos seus ombros, às suas mãos vagarosas. Esse (um feixe de luz, um rosto, um perfume?) foi um momento de revelação e milagre que parece repetir-se (como se fosse possível) de cada vez que Geninha, pelo fim da tarde, entra no gabinete do Posto da Guarda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-8172608105280608192?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/8172608105280608192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=8172608105280608192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/8172608105280608192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/8172608105280608192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/5_25.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-5602287617553422527</id><published>2009-10-21T00:01:00.001+01:00</published><updated>2009-10-21T00:01:00.346+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>4.&lt;br /&gt;Num território onde os desacatos à ordem pública ou os mistérios e ocorrências (o roubo de uma galinha pedrês ou de girimuns destinados, com licença, à alimentação dos porcos) eram quase sempre de resolução óbvia ou imediato e inquestionável arquivamento, e quase nada acontecia nunca que fosse digno dos livros de registos, fascinava-o (neste caso) a perspectiva de um crime com três suspeitos a um tempo. Por isso tinha acabado de reunir os seus homens em redor da secretária de castanho com múltiplas gavetas vazias e composto um ar de gravidade: «Da dilucidação deste crime [e o mais certo é que vocês não atinjam, suponho] dependerá em grande parte o prestígio do Posto e da nossa, de cada um de nós, missão superiormente estabelecida.» Instalou-se o silêncio. Não contaria Francisco Aniceto Gonçalves dos seus subordinados, apesar de tudo, com essa espécie de tédio que mistura o cansaço e a indiferença. «Mas se o Alcino Medeiros até já confessou o crime», atreveu-se finalmente o agente Martins a dizer, primeiro indeciso, a magicar em raciocínios complexos, e depois a procurar a lógica (que não vislumbrava) que pudesse escapar-lhe. «Confessou o ca-ra-lho», gritou o sargento, acompanhando as palavras silabadas de uma batida forte, de mão espalmada, no tampo da mesa onde sobressaía, colado pelos cantos em fita adesiva (os quatro) um mapa de Portugal, das Ilhas Adjacentes e das Províncias Ultramarinas, plastificado, a escalas diferentes consoante as áreas e os perímetros das fronteiras. A verdade é que a realidade costuma ser o que é. E o sargento Gonçalves acabou por permitir e ordenar aos seus homens que fossem à ceia (certamente a esperá-los nas casas respectivas com abundância de toucinho nas frigideiras das frituras). Deixou que saíssem, portanto; e aproximou-se da janela de guilhotina (o que é um nome, um conceito?) e ergueu ligeiramente o caixilho móvel e compreendeu que corria finalmente uma aragem favorável à refrigeração do gabinete de trabalho. Por isso deixou o caixilho erguido, rodando o artefacto metálico quase triangular e de complexo rendilhado em que um serralheiro trabalhara de modo a que a função não retirasse às artes, à criatividade ou à estética, o que poderia resolver-se mais facilmente por sujeição simples à funcionalidade que se espera dos objectos comuns.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-5602287617553422527?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/5602287617553422527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=5602287617553422527' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5602287617553422527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/5602287617553422527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/4_21.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-7149465763055342467</id><published>2009-10-20T23:06:00.002+01:00</published><updated>2009-10-20T23:06:53.540+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>3.&lt;br /&gt;Francisco Aniceto Gonçalves é dado à leitura. Mas muito particularmente batido em Simenon. Como o herói do seu herói, o comissário Maigret, ao sargento pouco o preocupavam as circunstâncias imediatas (concretas) de um crime. Porque, salvo raras excepções que devem ser deixadas menos à investigação policial do que ao estudo de anomalias psiquiátricas, acreditava que as razões de um crime vêm de muito antes da sua execução ou, mesmo, de ser pensado como acto possível de concretizar-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-7149465763055342467?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/7149465763055342467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=7149465763055342467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7149465763055342467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/7149465763055342467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/3_20.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-3065148619203417282</id><published>2009-10-20T23:05:00.001+01:00</published><updated>2009-10-20T23:05:34.980+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>2.&lt;br /&gt;[Geninha não chegou ainda.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-3065148619203417282?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/3065148619203417282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=3065148619203417282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/3065148619203417282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/3065148619203417282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/2_20.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13093868.post-6900077486717810118</id><published>2009-10-18T23:01:00.000+01:00</published><updated>2009-10-18T23:13:05.312+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Capítulo VI&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Onde se fala de Geninha e se seguem os passos do sargento Gonçalves.]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;Geninha não chegou ainda. É quase noite. O sargento Gonçalves aproxima-se da janela do gabinete, ergue ligeiramente o caixilho móvel, vê que corre já uma aragem, acaba de erguê-lo até rodar o trinco metálico e deixar assim a janela aberta pela metade, que é pela metade que uma janela de guilhotina fica aberta de todo. Olha a vinha e o pomar de macieiras que prolongam o espaço do Posto. E reflecte sobre o estranho e misterioso poder das palavras; sobre a etimologia; sobre a evolução de uma língua que o outro dizia ser a sua Pátria. Guilhotina, por exemplo, é um instrumento (em desuso) ao serviço da decapitação de condenados à morte. Mas é também o nome escolhido para as janelas de dois caixilhos, como esta do gabinete do Posto da Guarda, em que um deles, subindo, descendo, se movimenta para deixar a aragem de um fim de tarde de Junho correr paredes adentro, ou impedir que o Inverno espalhe numa divisão das casas a sua nuvem de gelo. A guilhotina dos condenados, no que ao processo verdadeiramente interessa, tem um único movimento: descendo, com a lâmina muito afiada a deslizar, rápida, diluindo a noção de tempo, entre dois montantes paralelos. Este caixilho da janela, o inferior, pode subir ou descer, mais rapidamente, mais vagarosamente, até ficar suspenso pelo artefacto em triângulo, preso numa das extremidades por uma dobradiça (cujo nome significa a função que exerce), ou fechar o vão, deixado cair até unir a sua base ao parapeito liso que o recebe e encaixa. O termo (guilhotina) é também conhecido nas gráficas por significar um aparelhómetro de três facas que permite às revistas ou aos livros chegar até nós (os leitores de livros e revistas, como é dar-se o caso do sargento Gonçalves) sem anomalias de folhas descaídas ou demasiado encolhidas no volume de que fazem parte. Mas a palavra, parece, vem do nome de um médico francês, o senhor doutor Joseph-Ignace Guilhotin, tão humanista (ele) que incentivava o uso da lâmina (essa que funcionava preferencialmente, com a eficácia que se lhe reclamava, de cima para baixo) como método de privilégio para que os condenados à morte não sofressem tanto. Assim (reflecte o sargento Gonçalves) são as palavras: e uma mesma, sem variações de ortografia, pode portanto significar o acto correspondente à decapitação ou à possibilidade de o ar fresco de um fim de tarde de Junho, como este, entrar no gabinete de trabalho de uma autoridade de polícia. Bem certo é (conclui o sargento) que as palavras, as mais das vezes, significam o que pretendemos que explicitem ou ocultem, que escondam ou revelem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13093868-6900077486717810118?l=casa-de-cacela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/feeds/6900077486717810118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=13093868&amp;postID=6900077486717810118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/6900077486717810118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13093868/posts/default/6900077486717810118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casa-de-cacela.blogspot.com/2009/10/capitulo-vi-onde-se-fala-de-geninha-e.html' title=''/><author><name>jcb</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10484236844947262783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='14746129633485233902'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>